Ibovespa registra forte baixa com investidores fugindo de ativos de risco.
O Ibovespa registrou nesta terça-feira (3) sua pior queda diária desde dezembro, recuando 3,28% aos 183.104,87 pontos. O desinvestimento em massa foi impulsionado pelo prolongamento do conflito no Oriente Médio, que paralisou o fornecimento global de energia e elevou as projeções de inflação, reduzindo as expectativas de cortes nas taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
A aversão ao risco global intensificou-se após o Irã fechar o Estreito de Ormuz, via crucial por onde escoa cerca de 20% da oferta global de gás natural liquefeito (GNL). O Catar suspendeu sua produção, e o JPMorgan prevê que as paralisações no Iraque podem se tornar totais em três dias.
Como reflexo imediato, os preços dos combustíveis dispararam: o petróleo Brent subiu 4,71% (US$ 81,40) e o WTI avançou 4,70% (US$ 74,56). Na Europa, os contratos futuros de gás natural saltaram 70% em apenas dois dias. “A aversão ao risco global fortalece o dólar e a alta do petróleo pressiona os preços internos dos combustíveis, tema sensível para o IPCA”, avalia Luiz Arthur Hotz Fioreze, diretor da Oryx Capital.
No Brasil, o dólar comercial subiu 1,91%, fechando cotado a R$ 5,265, após atingir a máxima de R$ 5,343 durante o pregão. Os juros futuros (DIs) acompanharam o movimento e aceleraram por toda a curva, refletindo o temor de que o Banco Central brasileiro precise ser mais conservador na reunião de março.
Embora o Copom tenha sinalizado anteriormente a intenção de iniciar cortes na Selic, analistas alertam que o “efeito Ormuz” e a pressão inflacionária reduzem drasticamente o espaço para manobras monetárias.
Quase 100% dos ativos do Ibovespa fecharam no vermelho. A Vale (VALE3) recuou 4,17%, impactada pelo receio de que o conflito atinja a economia chinesa e derrube os preços do minério de ferro.
As maiores perdas do dia foram:
Apenas dois ativos fecharam em alta: Raízen (RAIZ4), com avanço de 6,15%, e Braskem (BRKM5), com 3,24%. Nem mesmo a Petrobras (PETR4) sustentou a alta do petróleo, fechando com leve queda de 0,44%.
Em meio ao caos financeiro, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro cresceu 0,1% no 4º trimestre de 2025 e fechou o ano com expansão de 2,3%. O resultado confirma uma perda de ritmo frente aos 3,4% registrados em 2024. O aperto monetário e o endividamento das famílias foram apontados como os principais freios do consumo e da construção civil no período.
Fábio Murad, CEO da SpaceMoney e criador do método Super ETF, reforça que este cenário de volatilidade local demonstra a urgência da diversificação. “Se eu quero dormir tranquilo independente da política local ou das oscilações da Selic, preciso estar exposto a ativos internacionais em moeda forte”, afirma o especialista.


