Israel e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto contra o Irã, cuja duração é incerta e que já provocou repercussões em toda a região do Oriente Médio. EmIsrael e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto contra o Irã, cuja duração é incerta e que já provocou repercussões em toda a região do Oriente Médio. Em

Como a escalada de Trump com o Irã pode ser o catalisador para a queda do apoio político?

2026/03/04 18:30
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Israel e os Estados Unidos lançaram um ataque conjunto contra o Irã, cuja duração é incerta e que já provocou repercussões em toda a região do Oriente Médio. Embora as intenções de Israel sejam diretas, as dos Estados Unidos permanecem ambíguas.

Em conversa com Steve Hanke, ex-assessor de Ronald Reagan e professor de economia na Universidade Johns Hopkins, as consequências para o presidente norte-americano Donald Trump são arriscadas, podendo lhe custar parte de sua base eleitoral do Make America Great Again.

Motivações pouco claras de Trump no Oriente Médio

Se os fundadores dos Estados Unidos estivessem vivos hoje, analisariam a situação ocorrida no fim de semana e desaprovariam os desdobramentos.

No século XVIII, Benjamin Franklin expressou sua visão sobre conflito e comércio ao afirmar: “o sistema dos Estados Unidos é o comércio universal com todas as nações e guerra com nenhuma delas.” Thomas Jefferson reforçou esse direcionamento para a política externa por meio da frase: “Paz, comércio e amizade honesta com todas as nações — alianças comprometedores com nenhuma delas.”

Hoje, ocorre o oposto. Sabendo do ataque planejado de Israel contra a capital iraniana, os Estados Unidos aderiram à ação de modo preventivo.

Para Hanke, a intenção israelense era igualmente clara: ampliar sua influência pelo Oriente Médio. No caso dos Estados Unidos, motivos concretos são mais difíceis de identificar. Hanke atribuiu isso à liderança imprevisível de Trump também em outras áreas de sua gestão.

O que se mostra mais visível, porém, é a forte influência israelense em Washington.

Crescimento da influência de Israel sobre a formulação de políticas dos EUA

As relações entre Israel e Estados Unidos podem ser ilustradas pelos amplos esforços de lobby de determinados comitês de ação política (PACs), como o Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (AIPAC), especialmente durante os ciclos eleitorais norte-americanos.

Totais anuais de lobbying do AIPAC desde 1998. Fonte: OpenSecrets.Totais anuais de lobbying do AIPAC desde 1998. Fonte: OpenSecrets.

Segundo o grupo de pesquisa apartidário OpenSecrets, o AIPAC destinou mais de US$ 42 milhões a contribuições bipartidárias nas eleições federais de 2024. Em 2025, o comitê investiu US$ 3,76 milhões em lobby, o maior valor registrado em um único ano.

Além das alianças cada vez mais complexas entre Estados Unidos e Israel, Trump pode estar utilizando esse recente ataque ao Irã para desviar a atenção de determinados fatos em andamento doméstico.

Imagem anti-guerra de Trump começa a se dissipar

Trump iniciou 2026 com uma série de decisões controversas. Três dias após o início do ano, os Estados Unidos prenderam e extraditaram o líder venezuelano Nicolás Maduro. Menos de um mês depois, o presidente lançou uma campanha agressiva para adquirir a Groenlândia, provocando atrito direto com aliados europeus.

Ambas as medidas ocorreram em meio a frequentes ameaças de tarifas. No mesmo período, o Departamento de Justiça divulgou a nova leva de documentos do caso Epstein.

Com isso, o presidente se vê no centro de um debate sobre seus laços com o bilionário Jeffrey Epstein e sobre seu conhecimento das acusações de tráfico sexual enfrentadas por Epstein em 2019.

Enquanto isso, as ações de Trump podem representar desafio relevante à sustentabilidade de seu capital político. Entre suas principais promessas de campanha estava o fim dos conflitos armados em andamento, chegando a se autodenominar “presidente da paz”.

Esse discurso começa a se desfazer.

O próximo indicador da aceitação do presidente será as eleições de meio de mandato em novembro, que vão definir se o Partido Republicano conseguirá manter o controle das duas casas do Congresso.

Embora as decisões de política externa de Trump possam gerar efeitos políticos domésticos expressivos, o impacto na economia global, especialmente nos preços do petróleo, parece mais limitado do que o esperado.

Conflito no Irã não interrompe petróleo e China mantém equilíbrio

Ao contrário do que muitos pensam, Hanke não acredita que uma guerra/ataque com o Irã vá afetar de forma catastrófica os preços do petróleo nos Estados Unidos.

No século XX, interrupções na produção de petróleo tiveram maior peso nas economias mundiais. Entretanto, atualmente, os Estados Unidos ampliaram sua produção, enquanto Irã e países do Golfo registraram redução de oferta. 

Hanke destacou que, desde que os acontecimentos se desenrolaram durante o fim de semana, o valor do petróleo americano subiu cerca de US$ 10 por barril, resultando em um acréscimo de 25 centavos por galão.

As medidas de Trump para restringir o fornecimento de petróleo à China com intervenções tanto na Venezuela quanto no Irã podem não alcançar o efeito previsto diante da principal concorrente dos Estados Unidos. Hanke ponderou que, mesmo com o Estreito de Ormuz fechado, as vantagens estratégicas da China não devem ser desconsideradas. 

Enquanto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo [Opep] possui reservas de óleo, a China controla minerais de terras raras. 

Com a situação no Oriente Médio em evolução, o real efeito dessas movimentações geopolíticas sobre a estabilidade global e a política dos Estados Unidos ainda é incerto. Os próximos meses vão mostrar se as apostas de Trump nas relações exteriores vão fortalecer ou prejudicar ainda mais sua posição política.

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