A Cury encerrou 2025 com R$ 683,3 milhões em geração de caixa operacional, R$ 1,35 bilhão distribuído em dividendos e R$ 8,3 bilhões em lançamentos no ano. Somado a esses números, o CFO João Carlos Mazzuco adiciona um indicador pouco falado da empresa de construção e incorporação imobiliária.

“O ROI acima de 70% é um número que captura tudo. Ele reflete a alta lucratividade, a forte geração de caixa e o baixo uso de capital próprio”, disse ele no Números Falam, programa do NeoFeed.

Em um setor historicamente marcado por ciclos longos, distratos e consumo intensivo de capital, o retorno sobre o investimento nesse patamar chama a atenção de qualquer investidor.

Mesmo porque esse indicador ajuda a explicar como a construtora conseguiu combinar crescimento com distribuição recorde de dividendos no ano passado.

Em 2025, foram pagos R$ 1,35 bilhão em dividendos, alta de 179,6% sobre o ano anterior. Apenas no quarto trimestre, o valor superou R$ 1 bilhão.

Parte do movimento aconteceu pela perspectiva de tributação futura sobre os proventos. A empresa realizou um follow-on no fim do ano para reforçar o caixa e distribuir reservas acumuladas antes da mudança na legislação.

Mas a Cury reforça que essa estratégia de distribuição não compromete o crescimento. “Nossos empreendimentos são autossuficientes do ponto de vista de caixa. Eles se financiam ao longo da obra”, diz o CFO.

O “segredo” da companhia é operar, predominantemente, com o modelo de repasse na planta. O cliente obtém o financiamento junto à Caixa e os recursos são liberados à construtora conforme o avanço da obra.

Isso cria uma dinâmica previsível com vendas fortes e entrada de caixa à medida que a obra avança. A meta interna é tentar atingir cerca de 70% de vendas nos primeiros seis meses após o lançamento.

“Quanto mais eu cresço, mais eu vendo e mais eu tenho evolução de obra. A geração de caixa acompanha”, diz Mazzuco.

Terreno sob controle

O estoque de unidades encerrou o ano em R$ 2,4 bilhões, alta anual de 31,3%. Mas ele cresceu menos que os lançamentos e representava pouco mais de três meses de vendas. Para a companhia, o nível é considerado saudável - e até estratégico.

“Se o estoque está baixo, eu preciso lançar para manter a máquina rodando”, diz o executivo.

O banco de terrenos alcançou R$ 24,6 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial, crescimento de 22,5% em relação ao ano anterior, o equivalente a mais de 81 mil unidades futuras. O custo do terreno representa entre 12% e 13% do VGV.

A ação CURY3 está em alta de 16,2% no ano na B3 e com valorização de 72,5% em 12 meses. O valor de mercado da companhia é de R$ 11,4 bilhões.