O dólar fechou esta quinta-feira (5) em alta de 1,32%, a R$ 5,29 — maior valor desde 21 de janeiro. A valorização do dólar ocorreu em um cenário de aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Investidores voltaram a incorporar nos preços dos ativos o risco de um conflito mais prolongado na região.
As cotações do petróleo reagiram a esse cenário. O contrato do Brent para maio fechou com alta próxima de 5%, refletindo a intensificação de ataques na região.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não solicitou um cessar-fogo aos Estados Unidos ou a Israel. Ele também declarou que o Irã não pretende fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção global de petróleo, mas indicou que a medida não está descartada.
Durante a manhã, circularam informações de que o estreito estaria fechado para embarcações de Estados Unidos, Israel e Europa. A informação foi negada pelo governo iraniano.
Nos quatro primeiros pregões de março, o dólar acumula valorização de 2,98%. Em 2026, as perdas da moeda americana frente ao real agora estão em 3,68%.
Em momentos de incerteza global, investidores tendem a migrar para ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos da dívida americana. Esse movimento aumenta a demanda pela moeda americana.
Em fala ao Broadcast, o economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, afirmou que o avanço da divisa reflete tanto a busca por proteção quanto o temor de impactos macroeconômicos caso o conflito se prolongue.
No exterior, o Índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recua próximo do fim da tarde, aos 98,793 pontos.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Dados do CME Group indicam que o mercado passou a esperar que o Federal Reserve (Fed) retome os cortes de juros apenas em setembro. Antes, a expectativa predominante era de início em julho.
Investidores também aguardam a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos, conhecido como payroll.
No Brasil, o diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, afirmou em evento em São Paulo que mantém a expectativa de redução da taxa Selic neste mês.
Segundo ele, o eventual corte não deve representar o início de um ciclo de queda de juros, mas um processo de ajuste na política monetária.
O diretor também explicou que o BC alterou o ritmo dos leilões de rolagem de swaps cambiais — instrumentos utilizados para oferecer proteção cambial ao mercado — após identificar excesso de oferta dessas operações ao longo do ano passado.
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