A Lojas Renner fechou 2025 com lucro recorde no quarto trimestre e no ano, e com crescimento de margens, um desempenho visto pelos executivos como um validador dos ajustes realizados nos últimos anos e um prelúdio positivo para o ciclo projetado para o período de 2026 a 2030, com crescimento e rentabilidade caminhando lado a lado.
A varejista fechou o quarto trimestre com lucro líquido de R$ 552,6 milhões, um aumento de 13,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o balanço publicado após o fechamento da bolsa na quinta-feira, 5 de março. Com isso, a companhia encerrou 2025 com lucro de R$ 1,4 bilhão, aumento de 22%.
A receita operacional líquida subiu 5% nos últimos três meses do ano passado, a R$ 4,8 bilhões, fechando o ano em R$ 15,8 bilhões, alta de 4,8%.
O Ebitda ajustado de varejo somou R$ 1 bilhão no quarto trimestre, alta de 9,3%, alcançando uma margem de 24,2%, maior em 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. No ano, atingiu R$ 2,7 bilhões, aumento de 10,2%, resultando num Roic de 14,7% no trimestre, aumento de 2,3 pontos percentuais ante 2024.
“Foi um ano em que a gente mostrou que a companhia tem potencial de crescimento, com ganho ainda maior de rentabilidade e eficiência, podendo crescer margem bruta e vendas, reduzir estoque, diminuir despesas, distribuir valor aos acionistas, investir em crescimento e manter a geração de caixa robusta”, diz Fabio Faccio, CEO da Renner, ao NeoFeed.
Os últimos três meses de 2025 foram marcados por um cenário mais complexo para o varejo. A receita líquida do segmento atingiu R$ 4,3 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As vendas no conceito “mesmas lojas”, que consideram o desempenho de unidades em funcionamento há mais de 12 meses, subiram 3,3%, desaceleração ante a alta de 8,9% apurada no quarto trimestre de 2024.
Segundo Faccio, os resultados vieram dentro do esperado, diante da dinâmica que se desenhava no começo de 2025, de um primeiro semestre mais forte para vendas, seguido por seis meses mais fracos.
A companhia também voltou a sentir os efeitos das temperaturas mais baixas do que o usual, situação que afetou o fluxo nas lojas, prejudicando o volume em peças da bandeira Renner.
Faccio afirma que ainda há espaço para evoluir na forma de lidar com a questão climática, mas destacou que o modelo de negócios atual, com gestão de estoque e menor atividade promocional, foi capaz de garantir que a situação não prejudicasse a rentabilidade.
No quarto trimestre, a margem bruta consolidada avançou 0,7 pontos percentuais, atingindo 56,5%, patamar recorde nos últimos seis anos. Faccio destaca ainda a diluição de 0,7 ponto percentual das despesas em relação à receita líquida do varejo. A linha de despesas operacionais teve alta de 2% no trimestre, para R$ 1,4 bilhão.
“Mesmo num trimestre com um crescimento um pouco menor do que a média do ano, que já era esperado, tivemos diluição de despesas, foi o menor crescimento de despesas do ano também. Foi um ano que mostrou a consistência do nosso modelo”, diz o CEO.
Na Realize, braço financeiro da Renner, o ano foi marcado pela captura do trabalho de recuperar a carteira de crédito, iniciado em 2024, mantendo uma postura mais conservadora na concessão de crédito.
A carteira total cresceu 11,3%, para R$ 6,4 bilhões. A participação da carteira vencida aumentou 7,8 pontos percentuais, devido à Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou os prazos para reconhecimento de juros em atraso e baixa de ativos vencidos. Excluindo esse efeito, a carteira vencida caiu 0,3 ponto percentual.
No trimestre, o resultado de serviços financeiros somou R$ 63,6 milhões, alta de 3,7%. “Ao longo do ano, em comparação com 2024, a gente viu tanto uma melhora de rentabilidade, quanto até mesmo melhora do perfil da carteira. Aí a gente fecha o ano com uma carteira com um risco baixo”, diz Daniel Santos, CFO da Renner.
Com estes resultados, e a maior parte dos investimentos estruturais em seu modelo de negócios concluídos, a Renner dá a partida no plano de expansão para os próximos cinco anos. A empresa pretende chegar ao final de 2030 com Roic na casa dos 20% e com crescimento anual da receita líquida entre 9% e 13%.
Faccio destaca que, ainda sem todas as iniciativas previstas, a Renner começou a cumprir as metas do plano já em 2025. Ele cita a alta de 9,2% da receita e a abertura de 34 lojas, sendo 23 apenas no quarto trimestre, com o plano prevendo um ritmo de abertura de cerca de 28 a 34 unidades até 2030.
Para 2026, a Renner pretende abrir 50 a 60 novas lojas. Para isso, vai investir R$ 1 bilhão, com boa parte dos recursos indo para lojas, acima do capex de R$ 858 milhões de 2025, que já representou um aumento de 29,6% ante o aportado em 2024. “Os resultados de 2025 mostram que os planos para o período de 2026 a 2030 que divulgamos são bastante factíveis e concretos, porque já começaram a acontecer”, diz Faccio.
A ação LREN3 acumula alta de 10% neste ano na B3. Em 12 meses, os papéis da Lojas Renner sobem 31,4%, para um valor de mercado de R$ 14,8 bilhões.



