A escalada de tensão envolvendo ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e as reações internacionais dominaram o debate político nas redes sociais brasileiras na última semana. E impulsionaram menções ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que tiveram posições antagônicas no conflito.
Levantamento da Datrix, empresa de inteligência de dados digitais, mostra que o tema criou mais de 75 mil menções em português de 27 de fevereiro a 5 de março. As publicações tiveram alcance de 2,5 bilhões de impressões, que são as vezes em que conteúdos aparecem em telas de celulares, computadores ou tablets, e 2,34 milhões de interações, entre curtidas, compartilhamentos e comentários.
Quando associados diretamente ao conflito, os 2 políticos tiveram desempenhos distintos nas redes.
O presidente Lula foi o nome mais citado no debate digital sobre a guerra no Irã.
Segundo a Datrix, foram 21,47 mil menções relacionadas ao tema, que criaram cerca de 900 milhões de impressões e 24,5 milhões de interações.
Entre influenciadores, jornalistas e políticos monitorados pela empresa, o presidente também concentrou a maior presença:
Apesar da maior visibilidade, o sentimento predominante foi negativo. A análise mostrou que:
Segundo a Datrix, parte relevante das críticas vieram pela associação de Lula com líderes de regimes autoritários ou organizações classificadas como “terroristas”. Também houve repercussão negativa à nota do Itamaraty que condenou os ataques, criticada por opositores do governo nas redes.
O senador Flávio Bolsonaro apareceu menos no debate digital sobre o conflito, mas com predominância de avaliações positivas. Foram 1,71 mil menções exclusivas ao congressista relacionadas ao tema, com cerca de:
Entre influenciadores e formadores de opinião monitorados, o senador registrou:
Nesse caso, o sentimento predominante foi positivo:
Segundo a Datrix, a repercussão positiva foi registrada sobretudo entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nessas publicações, Lula foi associado a um suposto “eixo do terror”, enquanto Flávio foi citado em mensagens que defendiam alinhamento da política externa brasileira aos Estados Unidos e a Israel.
De acordo com a empresa, a crise envolvendo o Irã desencadeou nas redes brasileiras uma disputa narrativa sobre política externa.
De um lado, apoiadores de Bolsonaro enfatizam o alinhamento com EUA e Israel e criticam a postura diplomática do governo brasileiro.
De outro, menções favoráveis ao presidente Lula destacam multilateralismo, diplomacia e a busca por evitar escaladas militares globais.
O episódio ilustra como crises internacionais podem influenciar diretamente o debate político doméstico nas redes sociais, ampliando disputas entre lideranças que buscam protagonismo no cenário nacional.


sem descrição BBC News fonte Getty Images Os homens da geração Z têm mais propensão do que os baby boomers a acreditar que as esposas devem "obedecer" seus