Entidade afirma que apreensão de dispositivos ameaça liberdade de imprensa. Jornalista foi preso por reportagem sobre Flávio DinoEntidade afirma que apreensão de dispositivos ameaça liberdade de imprensa. Jornalista foi preso por reportagem sobre Flávio Dino

OAB-PR critica busca contra jornalista e vê risco ao sigilo de fonte

2026/03/15 23:42
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A OAB-PR (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional do Paraná) publicou nota técnica em que condena a autorização judicial de busca e apreensão contra o autor de um blog de notícias do Maranhão. A entidade afirma que a medida ameaça a liberdade de imprensa e o sigilo da fonte, ambos garantidos pela Constituição.

Na 3ª feira (10.mar), o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, que publica o Blog do Luís Pablo, teve celular e notebook apreendidos em operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A medida foi tomada depois da publicação de reportagens em que Luís Pablo apontava o suposto uso irregular de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino em São Luís.

A manifestação foi aprovada pelo Conselho Pleno da seccional na 6ª feira (13.mar.2026). A decisão criticada é monocrática e foi proferida em 4 de março, autorizando apreensão de dispositivos eletrônicos do jornalista e impondo sigilo processual.

Segundo a OAB-PR, a apreensão de equipamentos de profissionais de imprensa pode expor fontes e comunicações protegidas pela Constituição. A entidade cita os artigos 5º, XIV, e 220 da Carta Magna, que asseguram o sigilo da fonte e a liberdade de informação jornalística.

Para a seccional, medidas desse tipo produzem um “efeito inibitório” sobre o jornalismo investigativo.

A entidade também questiona a competência para conduzir o caso. O processo foi redistribuído por prevenção ao chamado Inquérito das Fake News, conduzido no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Na avaliação da OAB-PR, o inquérito passou a funcionar como “eixo permanente de atração” de investigações criminais no tribunal, sem prazo definido de encerramento.

A apreensão de dispositivos de um jornalista não é uma medida neutra. Ela pode revelar fontes e comunicações profissionais, produzindo exatamente o efeito que a Constituição busca impedir”, afirma a nota.

O presidente da seccional, Luiz Fernando Casagrande Pereira, disse que a medida remete a práticas do período da ditadura militar.

Segundo ele, órgãos de repressão como o Departamento de Ordem Política e Social realizavam operações semelhantes contra redações para identificar fontes e intimidar jornalistas.

Usar o aparato do Estado para transformar o jornalismo em risco pessoal é algo que o país já viveu”, afirmou.

A OAB-PR defende o encerramento do Inquérito 4.781 com definição de marcos objetivos e pede que novos casos sejam encaminhados às instâncias competentes. A entidade também afirma que eventuais medidas cautelares digitais envolvendo profissionais de imprensa devem respeitar limites constitucionais e não podem servir para identificar fontes.


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