Em um mercado em que muitos players ficaram pelo caminho, a Livraria Leitura cresce dois dígitos todo ano com estratégia que privilegia a experiência de leitoreEm um mercado em que muitos players ficaram pelo caminho, a Livraria Leitura cresce dois dígitos todo ano com estratégia que privilegia a experiência de leitore

Comunidades e Copa: a receita da maior livraria do Brasil para crescer 25% em 2026

2026/01/13 16:00

Sobrevivente em um setor marcado por crises, a Livraria Leitura se prepara para um novo ano de expansão. A maior rede de livrarias físicas do país planeja abrir nove novas lojas e crescer o faturamento acima de dois dígitos em 2026.

O patamar é compatível com o ritmo já adotado pela Leitura e representa um crescimento considerado “pés no chão”, nas palavras do CEO, Marcus Teles. A livraria conta com um impulso a mais para este ano: a Copa do Mundo de futebol e seus tradicionais álbuns de figurinhas.

“Com exceção da pandemia, nosso faturamento cresce acima de dois dígitos desde 2000. Para 2026 vamos manter o ritmo entre entre 12% e 15% - e acrescentar perto de mais 10% com as vendas relacionadas à Copa, que se trata de um efeito não-recorrente”, afirmou o CEO em entrevista à Bloomberg Línea.

Ou seja, em um ano extraordinário, a Leitura pode crescer até 25%.

Teles disse que a experiência é uma das principais estratégias de vendas que sustentam o crescimento da Leitura.

A aposta é pela criação e pelo fortalecimento de comunidades no espaço da livraria, que podem abranger de encontros de clubes do livro e lançamento de novos títulos – o carro-chefe da estratégia - até grupos de trocas de figurinhas. “Realizamos cerca de 3.000 eventos por ano”, disse o executivo e acionista.

“Realizamos cerca de 3.000 eventos por ano, é um dos nossos principais diferenciais. Não é algo que ocorre em todas as unidades, mas buscamos ter pelo menos uma loja de referência por cidade com esse perfil”, disse o executivo.

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A rede aposta também na “customização” das lojas.

Teles citou como exemplo a megastore com 1.750 metros quadrados da Leitura no Shopping Dom Pedro, na cidade de Campinas (SP): há 200 metros quadrados do espaço reservado apenas para revista em quadrinhos e jogos de tabuleiro. Para efeito de comparação, a área média da rede é de 400 metros quadrados por unidade.

“Buscamos oferecer jogos diferenciados. As pessoas vão lá para aprender a jogar antes de comprar e levar para casa. Esse tipo de interação é muito importante na Leitura”, destacou.

DNA familiar

A Leitura foi fundada em Belo Horizonte (Minas Gerais) em 1967 por Emídio e Lúcio Teles, irmão mais velho e primo do atual CEO, respectivamente.

Caçula de 15 irmãos, Marcus começou a trabalhar no negócio ainda adolescente e, atualmente, além de principal executivo, é um dos controladores da companhia – dois terços da empresa pertencem à família.

O terço restante está diluído entre o grupo de sócios-gerentes, uma estratégia que, segundo o CEO, permite à Leitura expandir sem perder o DNA familiar. Nesse modelo, a livraria convida um gerente de destaque para se tornar sócio da nova unidade.

“Apresentamos para o gerente algumas cidades que estamos estudando. Ele é convidado a visitar os locais e entender em qual deles teria maior oportunidade de crescimento para a loja – e também onde ele gostaria de morar. Essa pessoa se muda para essa cidade e monta uma equipe local”, explicou Teles.

Hoje, 70% dos gerentes são sócios de suas unidades. Cada nova loja tem um prazo de até, no máximo, três anos para se tornar rentável. Do contrário, fecha as portas.

“Tem gente que acha que é como perder um filho, mas não vamos manter lojas problemáticas. O mais importante é a saúde da empresa. Fechamos pelo menos uma loja todos os anos.”

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A expansão começou “de Minas Gerais para cima”, especialmente no Centro-Oeste, no Norte e no Nordeste.

A companhia conta atualmente com 133 lojas em 61 cidades, com presença na maior parte dos estados brasileiros, à exceção de Paraná, Roraima e Acre. Mas a abertura da primeira unidade acreana deve acontecer em abril deste ano.

O foco são cidades acima de 250.000 habitantes, especialmente as que não contam com uma grande livraria, e o público pertence às classes A, B e C, que são as maiores consumidoras de livros. A maioria das lojas está em shoppings centers.

“Nos últimos anos, nós fomos para cidades que poucos conhecem no Sudeste. Um exemplo é Ananindeua, uma cidade da região metropolitana de Belém (Pará), com mais de 500 mil habitantes, mas que só tinha uma livraria religiosa”, afirmou Teles.

A Leitura também conseguiu aproveitar o espaço deixado pela derrocada de duas gigantes do setor, a Saraiva e a Livraria Cultura.

Ambas tiveram dificuldades de endividamento em meio à crescente competição com a venda digital de livros. As duas livrarias entraram em recuperação judicial em 2018 e tiveram a falência decretada poucos anos depois, em 2023.

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À época, a Leitura já havia se tornado um player consolidado com mais de 70 lojas físicas pelo país. Sem dívidas, a companhia conseguiu acelerar a expansão e abrir mais de 10 lojas por ano entre 2021 e 2023.

Segundo Teles, um fator que protegeu a Leitura da crise que varreu os gigantes do setor foi a decisão de não competir em preço com multinacionais, como a Amazon, hoje a maior presença digital na venda de livros. A Leitura vem em segundo lugar.

“Todo mundo que vendeu com prejuízo quebrou. A Amazon cresceu muito e se tornou um marketplace, o livro não é negócio para ela como é para nós”, disse.

Atualmente, 73% das vendas da Leitura são de livros, outros 23%, de papelaria, e a fatia restante envolve itens correlatos, como jogos.

Teles disse acreditar que a fase mais aguda de competição de livrarias físicas com o canal digital já ficou para trás – tanto na competição com grandes players quanto com e-books. “Depois de 30 anos disputando com o virtual, já estamos mais estabilizados.”

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