Relatório faz estimativa para daqui há 10 anos sem novas receitas ou contenção de gastos; ministro afirma que resultado primário não afeta o endividamentoRelatório faz estimativa para daqui há 10 anos sem novas receitas ou contenção de gastos; ministro afirma que resultado primário não afeta o endividamento

Tesouro projeta dívida de até 95% do PIB; Haddad culpa juros

2026/01/14 02:11

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta 3ª feira (13.jan.2026) que a principal pressão sobre a dívida pública brasileira decorre do nível dos juros reais, e não do resultado fiscal do governo. A declaração foi feita após questionamento do Poder360 sobre as projeções do Tesouro Nacional que indicam endividamento de até 95% do PIB (Produto Interno Bruto) nos próximos anos.

Haddad fez o comentário nesta 3ª feira (13.jan.2026) após a divulgação da 7ª edição do Relatório de Projeções Fiscais do Tesouro Nacional, apresentada na 2ª feira (12.jan.2026), com dados alarmantes sobre a DBGG (dívida bruta do governo geral). Eis a íntegra (PDF – 2 MB).

O documento alerta que a dívida bruta do governo geral pode alcançar até 95,4% do PIB em 2035 caso não haja novas medidas de arrecadação e persistam gastos fora das regras do arcabouço fiscal. “O governo tem cumprido de forma consistente as metas fiscais e vem elevando gradualmente o grau de exigência das LDOs [Leis de Diretrizes Orçamentárias], disse Haddad.

CENÁRIO ADVERSO

No cenário mais adverso traçado pelo Tesouro, a exclusão de despesas como precatórios da apuração das metas fiscais, combinada à ausência de compensações por aumento de receitas ou contenção adicional de gastos, provoca deterioração contínua da dívida pública. Mesmo no cenário de referência, considerado mais benigno, a relação dívida/PIB atinge um pico de cerca de 88,6% do PIB em 2032.

O relatório mostra ainda que, em trajetórias intermediárias, o endividamento permanece elevado por vários anos, pressionado principalmente pelo custo dos juros e pelo crescimento de despesas não sujeitas ao limite do Regime Fiscal Sustentável.

Segundo o Tesouro, a reversão desse quadro ocorre de forma lenta e depende da geração de superavits primários mais robustos. Mas, para o ministro, cumprir a meta fiscal com deficit não afeta o endividamento.

Haddad reconheceu o impacto dos juros sobre a dinâmica da dívida, mas afirmou que os números fiscais vêm melhorando. Segundo ele, embora o deficit estimado para 2025 seja maior que o de 2024, o resultado reflete a inclusão integral dos precatórios no cálculo, o que não ocorreu no ano anterior. “O ano passado [2024] não teve precatório, mas teve o Rio Grande do Sul. Este ano entrou 100% dos precatórios. As contas estão melhorando”, afirmou.

O Tesouro ressalta no relatório, no entanto, que a flexibilização trazida pela Emenda Constitucional 136, ao permitir a exclusão parcial de precatórios do resultado primário, amplia o espaço para gastos no curto prazo, mas eleva a dívida no médio e no longo prazo, exigindo maior esforço fiscal futuro para estabilizar o endividamento.

Segundo o documento, para evitar os piores cenários será necessário adotar medidas adicionais de receita ou rever o ritmo de crescimento das despesas, especialmente em um ambiente de juros ainda elevados. O diagnóstico reforça que o cumprimento das metas fiscais, isoladamente, pode não ser suficiente para garantir a sustentabilidade da dívida pública sem ajustes estruturais.

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