A ação da Randon está na lista de preferências de alguns gestores – mesmo diante de perspectivas ainda desafiadoras para o segmento de implementos rodoviários.
Após o valor de mercado do grupo despencar mais de 40% no ano passado, parte do mercado passou a ver a empresa como um caso clássico de deep value – uma companhia avaliada abaixo de seu valor intrínseco.
A capitalização de mercado da Randon – de R$ 2,2 bilhões – está bem abaixo do market cap de R$ 6,7 bilhões da Fras-le, a subsidiária na qual ela tem 50,6%.
“Isso implica que todos os demais negócios do grupo estão sendo precificados a zero ou negativo,” disse a Reach Capital ao colocar a Randon como principal tese em seu fundo de small caps.
A gestora pontua que só a Randon Consórcios foi avaliada recentemente em R$ 1,6 bilhão por um fundo de growth do Pátria que adquiriu 20% do negócio.
“Acreditamos que a combinação de melhora operacional, normalização cíclica e reprecificação dos ativos sustenta um potencial de valorização da ordem de ~200% ao longo do tempo,” escreveu a Reach em sua carta mensal de janeiro.
Os analistas de transportes e bens de capital do Santander têm a Randon como a segunda tese preferida na cobertura, citando o valuation negativo em R$ 1 bi se excluída a Fras-le. “Em nossa visão, é um veículo de investimento deep value.”
Apesar de um cenário ainda desafiador da indústria automotiva pesada para 2026, a companhia pode se beneficiar de cortes de custos já entregues de R$100 milhões por ano, e de uma forte geração de caixa esperada para 2026 e 2027, escreveram os analistas. O Santander tem preço-alvo de R$ 10 para os papéis, um upside potencial de mais de 50%.
Reduções na Selic também ajudariam no turnaround da Randon, e entraram na conta do Itaú BBA. Em 2025, a taxa de juros foi um dos fatores que pesou sobre as ações. Tanto pela alavancagem elevada da empresa quanto pelos impactos negativos sobre financiamentos de veículos pesados.
O Itaú elevou a recomendação da ação para compra, projetando lucro de R$ 215 milhões em 2026, perto do consenso. Embora espere um quarto tri fraco, o banco entende que revisões de projeções para a empresa podem estar chegando ao fim.
Após a Randon ter divulgado neste mês um contrato de R$ 770 milhões com a Arauco para entregar vagões que serão usados em ferrovias da Rumo, o Itaú disse que a empresa disputa mais um contrato neste segmento, um potencial upside.
O banco vê quatro potenciais gatilhos de curto prazo para a Randon, e vê a companhia como segundo destaque no setor de autopeças, atrás da Marcopolo, e seguida pela controlada Fras-le. O preço-alvo é de R$ 7,50.
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