De acordo com um inquérito da Pulse Asia, a maioria dos filipinos considera os meios de comunicação como a instituição mais confiável para responder à corrupção no controlo de cheias.
Isto contrasta com os inquéritos do final do mandato de Rodrigo Duterte há apenas quatro anos, que indicavam que a confiança nos meios de comunicação era muito baixa. É evidente que houve uma mudança de mentalidade.
O que aconteceu entre 2016 e 2022, além de ter sido o auge do poder de Duterte? Foi o período mais intenso de desinformação contra os jornalistas, onde os meios de comunicação foram rotulados de "presstitutes" e "tendenciosos".
Apesar da "avalanche de mentiras" que atacou a dignidade e a feminilidade dos jornalistas, foram os meios de comunicação que primeiro analisaram cientificamente e declararam que a internet estava a ser usada como arma e que estava a ocorrer uma guerra de corações e mentes. (LEIA. Parte 1: Guerra de propaganda: A internet como arma Parte 2: Como os algoritmos do Facebook impactam a democracia Parte 3: Contas falsas, realidade fabricada nas redes sociais)
Avançando para 2025, a verdade também veio à tona. A verdade acabará por se revelar, como se diz. Algumas (não todas) das mentiras já foram desmascaradas aos olhos do público. E face à flagrante corrupção no controlo de cheias, o povo volta a apoiar-se não apenas nos repórteres, mas também nos analistas.
De onde vem essa confiança? Vem da corajosa e factual abordagem de histórias complexas sobre corrupção, desinformação, manobras políticas e desastres.
Lembremos também que essa confiança foi conquistada em plena popularidade dos influenciadores — os novos queridinhos do apocalíptico cenário de desinformação.
Mas os jornalistas têm a capacidade de investigar e aprofundar as questões.
São eles que investigam corajosamente sem medo ou favoritismo.
São eles que enfrentam processos judiciais e assédio.
São eles que fazem o seguimento de denúncias e pistas enviadas pelos leitores e espectadores.
Os jornalistas têm coragem e formação, e não têm interesses partidários ou políticos.
Segundo Chay Hofileña, Chefe de Investigação do Rappler, que escreveu vários artigos sobre corrupção nos meios de comunicação, "Na sua forma mais pura e genuína, os meios de comunicação a fazer o seu trabalho obrigatório no interesse do público é serviço público."
Mas atenção — tudo isto não deve terminar apenas com as revelações dos jornalistas. Deve terminar com a reforma do sistema de atribuição e despesa do dinheiro público, com o encarceramento dos corruptos e com a mudança do sistema de clientelismo. Deve resultar na ação dos cidadãos.
Maria Ressa, laureada com o Prémio Nobel da Paz, afirma: "O carácter é construído nas pequenas decisões que tomamos."
Por isso, comece pelo pequeno: escreva ao deputado ou senador e manifeste a sua deceção e exija ação. Organize discussões na escola ou na comunidade.
Ressa acrescenta: "2026 exigirá grande — ainda maior — carácter. Ou perdemos tudo." – Rappler.com


