Número de imigrantes que entraram no país caíram drasticamente em meio ao empoderamento do ICE e endurecimento do discurso de TrumpNúmero de imigrantes que entraram no país caíram drasticamente em meio ao empoderamento do ICE e endurecimento do discurso de Trump

1º ano de Trump 2 tem políticas anti-imigração entre as prioridades

2026/01/20 17:00

O 1º ano do 2º mandato do presidente Donald Trump (Partido Republicano) chegou ao fim calcado na intensa campanha anti-imigração e na ênfase em medidas de segurança pública. Esses temas deram a tônica da política doméstica do republicano, confirmando o discurso da campanha eleitoral.

Segundo o Departamento de Estado norte-americano, a administração Trump revogou 100 mil vistos de estrangeiros em 2025. Em publicação no X, a pasta comemorou os números: “Continuaremos deportando esses bandidos para manter a América segura”, escreveu.

O ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas), agência norte-americana responsável pelas deportações e prisões de imigrantes considerados ilegais, adquiriu protagonismo neste início do mandato do republicano. Tropas de agentes realizaram batidas anti-imigração em diversos Estados, provocando impasses com autoridades locais e protestos da população.

O número de pessoas detidas ou deportadas pelo ICE não tem sido divulgado regularmente. Dados internos da agência obtidos pela emissora NBC News mostram um crescimento abrangente no número de presos.

Até 8 de janeiro, cerca de 69.000 imigrantes estavam detidos pelo ICE –um recorde histórico. Desse total, 25,7% tinham antecedentes criminais e 48,4% tiveram sua classificação listada como “outros infratores das leis de imigração”. Segundo apuração do Guardian, o governo norte-americano prendeu mais de 328.000 pessoas e deportou quase 327.000 em 2025.

Dados divulgados pelo CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos) mostram uma queda drástica no número de tentativas de imigrantes para atravessar a fronteira norte-americana. 

Na comparação do último ano de Joe Biden (Partido Democrata) na Casa Branca para o 1º ano do 2º mandato de Trump, houve redução de 89% nas tentativas de entrada na fronteira sudoeste, entre os Estados Unidos e o México. No mesmo período, a queda nas tentativas realizadas por brasileiros foi de 97%.

Método Trump

Denilde Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, explica ao Poder360 que um conjunto de ações tomadas pela administração Trump propiciaram o aumento nas deportações e detenções em fronteiras.

O governo federal realizou alterações nas regras para solicitação de visto, afetando principalmente estudantes e profissionais. Com as medidas adotadas, estrangeiros que desejam obter documentação para viajar ao país estão sujeitos a realizar uma entrevista presencial com um oficial consular e devem manter suas redes sociais com o perfil aberto.

As deportações em massa são outro ponto importante. Holzhacker declara que políticas de deportação não são uma coisa nova, tendo grande incidência durante o governo de Barack Obama (Partido Democrata). A principal diferença é a forma como Trump a realiza.

Para a professora, o republicano empoderou os agentes de imigração, aumentando seus recursos e dando maior projeção de atuação. Em 2025, imagens de batidas para deter imigrantes ilegais em grandes cidades, como Los Angeles e Chicago, tomaram o noticiário global.

Holzhacker afirma que isso se deu em uma estratégia cada vez mais intensa, “sem permitir que os grupos tivessem chance de apelação nos Estados Unidos, não dando tempo aos ritos de processos migratórios que tradicionalmente aconteciam”, como as tentativas de reverter judicialmente as decisões.

Combate ao crime

O governo Trump adotou medidas inusuais para conter a criminalidade, como o envio da Guarda Nacional para cidades norte-americanas. Esse tipo de intervenção federal se deu por poucas vezes na história dos EUA.

Holzhacker explica que, para Trump, o tema da imigração e da segurança estão intimamente conectados. Para ela, o envio de tropas da Guarda Nacional está relacionado “à questão do aumento da criminalidade, mas também a Estados que resistem mais à atuação federal na questão migratória”.

Em seu 2º mandato, Trump nacionalizou tropas estaduais sem a permissão do governador do Estado pela 1ª vez desde 1965. Os militares foram enviados a Washington, D.C, onde o presidente tem maior autonomia, Los Angeles e Memphis —cidades governadas por democratas.

Em Los Angeles, a medida se deu para conter protestos contra as operações de imigração do republicano. Na capital do país, Trump enviou tropas para conter o que chamou de “emergência criminal” —na ocasião, o presidente citou dados imprecisos de criminalidade para justificar a decisão.

Reações

Para Holzhacker, a política migratória e de segurança de Trump acarreta em uma série de implicações. “Do ponto de vista econômico, os Estados que têm sido mais afetados na questão das deportações têm tido mais problemas na reposição de mão-de-obra, então os serviços têm ficado mais caros”, declara. A professora explica que existe ainda o temor de que a situação de maior fiscalização sobre imigrantes comece a dificultar também a contratação de pessoas. 

A ação dos agentes do ICE resultou em protestos em Los Angeles em agosto de 2025. Em Minneapolis, no Estado do Minnesota, manifestações tensas culminaram em conflitos com forças policiais em depois da morte de uma mulher de 37 anos, Renee Nicole Good, por um agente de imigração em 7 de janeiro.

Em decorrência disso, Trump ameaçou em 15 de janeiro invocar a Lei da Insurreição para enviar as Forças Armadas caso as autoridades de Minnesota não impeçam os manifestantes de atacar agentes do ICE. Holzhacker afirma que o uso de forças federais para conter protestos da sociedade civil provoca uma tensão institucional que amplia a divisão em um país já dividido. 

Políticas sociais

Os dados mostram uma queda na criminalidade nos EUA e no número de imigrantes que entram no país. Ainda assim, o país segue enfrentando problemas sociais e econômicos.

A inflação segue acima da meta estipulada pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) e o mercado de trabalho sofreu uma desaceleração ante 2024. Para a professora, o foco no discurso anti criminalidade e anti-imigração do republicano faz parte de “uma estratégia de não ter o foco nas questões que são estão sendo difíceis”.

Os salários não aumentaram, o sistema de saúde continua sendo um problema sério de acesso para a população norte-americana da classe média ou para pessoas mais pobres”, relata Holzhacker. Essas questões, de grande relevância para o eleitorado, seguem sem resolução, afirma a acadêmica.

A professora cita ainda a interrupção de políticas sociais, como fundos para creches e auxílio financeiro para famílias de baixa renda, além dos cortes nos programas de saúde.

Impasses em relação ao Orçamento norte-americano, com republicanos tentando ampliar a redução dos gastos governamentais, culminaram em um shutdown que paralisou por semanas os serviços federais.

Holzhacker explica que o eleitorado pode se voltar a essas questões mais práticas do dia-a-dia, como o alto custo de vida e programas sociais. Ela cita as eleições de 2025 na cidade de Nova York, que elegeu Zohran Mamdani (Partido Democrata) para prefeito. 

O plano de governo de Mamdani inclui promessas como creches universais, congelamento de aluguéis para apartamentos e sistema de ônibus rápido e gratuito –iniciativas com um custo anual estimado em US$ 7 bilhões.

O quão efetivas estão sendo as políticas de Donald Trump na presidência pode ser respondido nas eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para novembro de 2026. A população norte-americana decidirá se mantém a maioria legislativa concedida ao Partido Republicano no Congresso –o que representaria um apoio à gestão de Trump–, ou opta por ampliar a voz democrata de oposição na Câmara e no Senado.


Esta reportagem foi produzida pelo estagiário de jornalismo João Lucas Casanova sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.

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