Republicano afirmou ter conversado com secretário-geral da Otan, que disse estar comprometido em achar uma soluçãoRepublicano afirmou ter conversado com secretário-geral da Otan, que disse estar comprometido em achar uma solução

Trump diz que levará discussão sobre a Groenlândia para Davos

2026/01/20 18:36

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), usou seu perfil na Truth Social na noite de 2ª feira (19.jan.2026) e madrugada de 3ª feira (20.jan) para defender que os norte-americanos controlem a Groenlândia. Declarou que tratou da questão com Mark Rutte, secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), e que isso será discutido na agenda de reuniões do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Trump também compartilhou uma montagem em que aparece fincando uma bandeira dos Estados Unidos em solo groenlandês.

Trump confirmou a conversa com Rutte e afirmou ter concordado com um encontro entre “as várias partes” durante o fórum. Em publicação extensa, o presidente norte-americano reforçou a centralidade estratégica do território. “A Groenlândia é imperativa para a segurança nacional e mundial. Não há como voltar atrás — e, sobre isso, todos concordam. Os Estados Unidos da América são o país mais poderoso do mundo, de longe. Somos a única POTÊNCIA capaz de garantir a PAZ em todo o planeta — e isso é feito, de forma simples, pela FORÇA”, escreveu.

A insistência do republicano se dá em um momento de reações negativas de aliados europeus à ideia de controlar a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. Ainda assim, Trump afirmou que seguirá tratando do assunto com líderes internacionais ao longo da semana.

Ele também divulgou uma mensagem atribuída a Rutte, em que o secretário-geral afirmou que está comprometido em encontrar uma solução para a questão.

Em outra publicação, o presidente divulgou um print de uma mensagem atribuída a Emmanuel Macron (Renascimento, centro), presidente da França. Segundo o conteúdo divulgado, Macron disse estar alinhado com Trump em temas como Síria e Irã, mas disse não compreender as intenções norte-americanas em relação à Groenlândia. Na mesma mensagem, o líder francês teria convidado Trump para um jantar em Paris antes de seu retorno aos EUA.

O presidente aproveitou ainda para criticar o Reino Unido por negociações envolvendo a ilha de Diego Garcia, onde fica uma base militar estratégica dos EUA. Trump acusou Londres de “fraqueza” e “estupidez” ao planejar transferir a soberania do arquipélago de Chagos para Mauritius. Para ele, a decisão reforça a necessidade de os EUA adquirirem a Groenlândia, citando ameaças de China e Rússia.

O governo britânico reagiu às declarações. Darren Jones, secretário-chefe do Tesouro do primeiro-ministro Keir Starmer, disse à BBC que o acordo com Mauritius já havia sido bem recebido anteriormente pela administração norte-americana. Jones afirmou que Diego Garcia permanecerá como base militar pelos próximos 100 anos e declarou que Starmer tem atuado para resguardar os interesses do Reino Unido.

EUA & GROENLÂNDIA

Controlar a Groenlândia não é uma vontade nova de Donald Trump. Ele já havia manifestado interesse na região em 2019, durante seu 1º mandato à frente dos EUA, e depois em dezembro de 2024, antes de tomar posse para um 2º mandato.

O republicano já disse que se não controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, então será do “jeito difícil”. Afirmou também, dias depois de os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma ação militar na Venezuela, que “não precisa do direito internacional” e que seu poder é limitado apenas por sua “própria moralidade“.

Trump alega que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos EUA, para afastar a “ameaça russa” e citou a construção do Domo de Ouro, sistema de defesa para proteger o país de mísseis. O custo estimado do Golden Dome é de US$ 175 bilhões.

Além das ameaças de controlar a região à força, Trump também avalia comprar a Groenlândia e oferecer pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em 13 de janeiro que o território autônomo escolheria seguir ligado à Dinamarca, e não aos EUA.


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