Os analistas da Delphi Digital chamaram 2026 de "ano da Solana", apontando para o maior ciclo de Atualização na história da rede e a crescente atenção institucional ao Ecossistema Solana.
De acordo com o seu relatório, o roteiro da Solana visa transformar a Blockchain numa infraestrutura de "nível de exchange", capaz de competir com exchanges centralizadas em termos de latência, profundidade de liquidez e equidade na execução de ordens.
A Atualização técnica chave será a Alpenglow — a maior mudança de protocolo em toda a história da Solana. O novo mecanismo de consenso consiste em dois componentes: Votor e Rotor.
O Votor altera o próprio princípio de alcançar consenso: em vez de múltiplas rondas de votação, os validadores agregam votos off-chain e alcançam a finalidade numa ou duas rondas. Em teoria, isto possibilita reduzir o tempo de finalidade para 100-150 milissegundos, em comparação com os anteriores 12,8 segundos.
O Rotor, por sua vez, otimiza a propagação de blocos encaminhando mensagens através de validadores com a maior participação de stake e conectividade estável.
A Alpenglow também introduz o modelo de resiliência "20+20": a segurança é preservada se não mais de 20% do stake se comportar de forma maliciosa, e a vitalidade da rede mantém-se mesmo que outros 20% dos validadores estejam offline.
Isto significa que a rede pode suportar até 40% de participantes inativos ou desonestos. Como parte desta Atualização, a Proof of History é efetivamente eliminada progressivamente, dando lugar ao agendamento determinístico de slots e temporizadores locais.
O lançamento está previsto para o início ou meados de 2026.
Outro elemento chave será o Firedancer — um segundo cliente validador independente desenvolvido pela Jump em C++. O seu objetivo é transformar o validador da Solana num motor de alto desempenho e previsível, com capacidade de processamento de milhões de transações por segundo.
Um passo intermediário é o Frankendancer, que combina os módulos de rede do Firedancer com a execução e consenso do atual cliente Agave.
Em paralelo, está a ser desenvolvida a DoubleZero — uma rede de fibra ótica privada que liga diretamente os validadores, semelhante à infraestrutura utilizada por exchanges tradicionais como a Nasdaq e a CME. Reduz as discrepâncias de latência, o que é crítico para a finalidade rápida da Alpenglow, e suporta multicast — entrega simultânea de dados a todos os validadores.
Na camada de formação de transações, duas soluções desempenham um papel fundamental. O BAM (Block Assembly Marketplace) da Jito separa a ordenação de transações da execução e utiliza ambientes de execução confiáveis (TEE) para evitar frontrunning.
A Harmonic, por sua vez, está a construir uma camada aberta de agregação de construtores de blocos, permitindo que os validadores aceitem propostas de múltiplos participantes concorrentes em tempo real.
O Raiku complementa esta arquitetura oferecendo garantias de execução determinística para aplicações que necessitam de latência previsível — em particular, para CLOBs on-chain e estratégias HFT. A solução funciona em paralelo com a L1 e utiliza transações Ahead-of-Time e Just-in-Time para garantir a execução sem alterar o consenso base.
No contexto destas mudanças técnicas, o interesse financeiro tradicional na Solana também está a crescer. Por exemplo, o banco de investimento Morgan Stanley apresentou declarações de registo S-1 junto da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos para lançar ETFs spot — o Morgan Stanley Bitcoin Trust e o Morgan Stanley Solana Trust.
Outro sinal de legitimação institucional foi que, no dia 7 de janeiro de 2026, o estado de Wyoming lançou o Frontier Stable Token (FRNT) — a primeira stablecoin emitida por um estado nos EUA. O ativo é totalmente garantido por moeda fiduciária e obrigações de curto prazo, está disponível na Kraken e é suportado em sete Blockchains, incluindo a rede Solana.
O Ecossistema Solana também está a expandir-se agressivamente no segmento de consumo. A Solana Mobile lançou um Airdrop de tokens SKR para utilizadores de smartphones Seeker e programadores de aplicações descentralizadas. Um total de 3 mil milhões de tokens foram alocados para a distribuição, o que deverá impulsionar o crescimento de dApps móveis e atrair novos utilizadores.

