A CNI (Confederação Nacional da Indústria) informou que a confiança dos empresários da indústria brasileira atingiu o menor nível para o mês de janeiro em 10 anos. O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) marcou 48,5 pontos, conforme dados divulgados na 4ª feira (21.jan.2026) pela instituição. O resultado representa um crescimento de apenas 0,5 ponto em relação a dezembro.
Segundo nota da CNI, o indicador permanece abaixo da linha dos 50 pontos, o que caracteriza falta de confiança no setor. Em janeiro de 2016, quando o Brasil enfrentava forte recessão econômica, o índice registrou 36,6 pontos. Leia a íntegra (PDF-502kB).
Segundo o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, a taxa básica de juros elevada é o principal fator para o resultado negativo: “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024”.
O gerente da CNI acrescenta que “à medida que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”.
O levantamento da CNI ouviu 1.058 empresas entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026. A amostra incluiu 426 pequenas indústrias, 383 de médio porte e 249 grandes companhias em todo o território nacional.
A pesquisa também revelou que o Índice de Condições Atuais subiu 0,2 ponto em janeiro, alcançando 44 pontos, valor que ainda reflete percepção negativa. Por estar abaixo de 50 pontos, o resultado mostra que os empresários avaliam que a economia e os próprios negócios seguem piores do que há 6 meses.
O avanço sutil decorre de uma percepção menos negativa dos industriais sobre as condições das empresas, já que a avaliação sobre a economia brasileira piorou.
Já o Índice de Expectativas cresceu 0,7 ponto, chegando a 50,7 pontos, o que sugere uma visão ligeiramente mais positiva para os próximos meses. O movimento indica que os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos 6 meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas.
A Selic atualmente está em 15% ao ano, patamar considerado elevado pelos industriais. Este cenário de juros altos tem impactado diretamente a percepção dos empresários sobre o ambiente de negócios no Brasil.


