O Brasil continua entre os países mais caros do mundo para a compra de roupas, mesmo após a valorização de 12,54% do real frente ao dólar em 2025, mostra um levantamento do BTG Pactual.
Atualmente, os preços da Zara no país estão 3% acima dos praticados nos Estados Unidos. Quando ajustados pela paridade de poder de compra (PPP) — indicador que considera o nível de renda e o custo de vida —, a diferença chega a 123%
O estudo do banco também montou uma cesta com 12 peças de roupas em 54 países. No Brasil, essa cesta ficou 6% mais cara em 2026 em relação ao ano anterior.
Segundo o BTG, o movimento indica que a Zara conseguiu repassar parte das pressões de custos aos preços finais, mesmo em um ambiente de maior concorrência no setor de moda.
No e-commerce, a Shein continua com preços inferiores aos dos grandes varejistas locais, embora o diferencial tenha diminuído. Em uma comparação de uma cesta com oito peças de roupas, a plataforma chinesa aparece:
Apesar disso, quando os preços da Shein no Brasil são ajustados pela paridade de poder de compra, eles ficam cerca de 100% acima dos praticados nos Estados Unidos. Ou seja, saem pelo dobro do preço.
Os analistas do BTG afirmam que o segmento de moda no Brasil passou a mostrar sinais mais moderados, especialmente entre empresas mais expostas às classes de renda baixa e média. Entre os fatores que continuam pressionando o consumo estão os juros elevados, o alto endividamento das famílias e a inflação acumulada.
Além disso, o banco cita a concorrência crescente de plataformas de e-commerce e operações cross-border, que envolvem compras diretas do exterior.
Nesse cenário, varejistas com maior exposição ao público de alta renda tendem a apresentar desempenho relativo melhor nos próximos trimestres. Essa leitura sustenta a preferência do BTG por Vivara e Track&Field dentro do setor.
O banco observa ainda que, após a recente queda das ações, o segmento de varejo de moda negocia, em média, a cerca de oito vezes o lucro estimado para 2026, indicador conhecido como múltiplo preço/lucro (P/L).
Diante de um cenário mais cauteloso para o consumo no curto prazo, especialmente no primeiro semestre de 2026, o BTG revisou para baixo suas estimativas para sete varejistas de moda sob cobertura.
Os cortes médios nas projeções foram de 1,3% na receita, 2,7% no Ebitda — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — e 3,2% no lucro líquido para os próximos três anos.
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