O Bitcoin iniciou a sexta-feira em queda, permanecendo abaixo de US$ 90 mil, enquanto ouro e prata renovaram máximas históricas.
A disparidade reforçou a migração de capital para ativos considerados porto seguro e enfraqueceu, no curto prazo, as teses mais otimistas para o BTC.
Dados do TradingView mostram que o Bitcoin mantém comportamento lateral, sem romper resistências relevantes. Enquanto isso, o ouro avançou e ficou a menos de 2% dos US$ 5 mil por onça.
BTC/USD – Fonte: TrandingView
Além disso, analistas destacam níveis técnicos decisivos. O trader Crypto Tony afirmou que o BTC pode buscar US$ 93.500 para fechar um gap da CME. Segundo ele, esse movimento seria necessário antes de qualquer retomada mais forte.
Entretanto, outros analistas adotam cautela, Michaël van de Poppe apontou US$ 91 mil como nível-chave. Segundo ele, a perda consistente de US$ 86.800 pode levar o Bitcoin a testar mínimas recentes.
Por isso, o sentimento de curto prazo segue frágil. As liquidações se concentram entre US$ 88.300 e US$ 90.100, o que aumenta a volatilidade durante a sessão americana.
Enquanto o Bitcoin hesita, o ouro avança com apoio estrutural. Bancos centrais seguem comprando o metal em ritmo histórico, com destaque para a China, que ampliou suas reservas de forma agressiva.
Charles Edwards, fundador da Capriole Investments, destacou o impacto da expansão monetária global. Segundo ele, a inflação anual de 10,5% na oferta de moeda pressiona os preços dos ativos reais.
Além disso, o RSI mensal do ouro atingiu níveis de sobrecompra vistos pela última vez na década de 1970. Mesmo assim, o fluxo comprador permanece consistente.
Gráfico de três meses do ouro (XAU/USD) com RSI mensal – Fonte: TradingView.
A força do ouro reacende comparações com o Bitcoin como reserva de valor. No curto prazo, o metal precioso domina o fluxo defensivo, entretanto, o histórico mostra que períodos de forte alta do ouro já antecederam recuperações relevantes do BTC.
Portanto, a divergência atual não invalida o papel do Bitcoin no longo prazo. Porém, indica um momento de maior cautela e seletividade por parte dos investidores.
A leitura macro segue clara: incerteza global, expansão monetária e busca por proteção, nesse ambiente, ouro lidera agora. O Bitcoin, por sua vez, aguarda um gatilho para retomar protagonismo.
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