Ações da Eztec (EZTC3) estão baratas? Entenda se vale a pena investir
A Eztec (EZTC3) divulgou o guidance de lançamentos para 2026 e chamou atenção do mercado, com números robustos que apontaram para um processo de aceleração operacional. Negociada a múltiplos considerados baixos em relação ao histórico e aos pares, a incorporadora aparece, na visão de analistas, como um caso clássico de empresa barata, mas com gatilhos claros de reprecificação.
No comunicado divulgado no final da semana passada, a Eztec informou que pretende lançar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3,5 bilhões em novos projetos em 2026 (considerando apenas sua participação). No ponto médio, o número representa crescimento de 27% na comparação anual e fica 7% acima das estimativas do próprio banco, reforçando a leitura positiva para o papel.
Para os analistas do BTG Pactual, o aumento do volume de lançamentos tende a ser um divisor de águas para a companhia. Ao elevar o giro de ativos, a expectativa é que a rentabilidade volte a patamares mais próximos do histórico da incorporadora, conhecida por seu modelo verticalizado e foco no segmento de média-alta renda em São Paulo.
Além do crescimento operacional, os números financeiros reforçam a tese de valor. A receita líquida da Eztec deve avançar de R$ 1,23 bilhão em 2023 para mais de R$ 2 bilhões em 2025, enquanto o lucro líquido pode atingir R$ 676 milhões, praticamente o dobro do registrado dois anos antes.
Outro ponto que chama atenção é a remuneração aos acionistas. Com forte posição de caixa e geração operacional em recuperação, o BTG projeta dividendos elevados nos próximos anos, com DPS (dividendo por ação, na sigla em inglês) estimado em R$ 6,15 em 2025.
Mesmo com essa perspectiva de melhora, as ações da Eztec seguem negociadas a múltiplos considerados baixos. O papel é avaliado a cerca de 0,8 vez o valor patrimonial (P/TBV) e 7 vezes o lucro projetado para 2026, patamares que embutem um cenário ainda conservador para a companhia.
O BTG Pactual mantém recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 28, o que implica potencial de valorização de mais de 90% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23). Para os analistas, o desconto atual não reflete adequadamente a retomada do crescimento, a melhora da rentabilidade e o potencial de distribuição de dividendos.


