Chefe da diplomacia do bloco diz esperar consenso após repressão violenta a protestos no paísChefe da diplomacia do bloco diz esperar consenso após repressão violenta a protestos no país

UE deve listar Guarda Revolucionária do Irã como “terrorista”

2026/01/29 19:22

A UE (União Europeia) caminha para incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de organizações terroristas após a repressão violenta a protestos em dezenas de cidades iranianas, que deixou milhares de mortos nas últimas semanas. A informação foi confirmada pela chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, nesta 5ª feira (29.jan.2026), ao chegar para a reunião de ministros das Relações Exteriores em Bruxelas.

Também espero que concordemos em incluir a Guarda Revolucionária do Irã na lista de terroristas”, disse Kallas em entrevista a jornalistas. “Isso vai colocá-los no mesmo patamar da Al Qaeda, do Hamas e do Daesh. Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista”.

Segundo a diplomata, a medida responde a relatos de repressão considerada brutal contra manifestantes que foram às ruas para expressar insatisfação com o regime clerical em Teerã. Para Kallas, a decisão envia “uma mensagem clara de que, se você reprime pessoas, isso tem um preço e haverá sanções”.

A eventual designação depende de apoio unânime dos 27 países do bloco e, se confirmada, representará um endurecimento relevante da postura europeia contra o governo iraniano. A iniciativa se soma a planos de sanções contra mais de 20 pessoas e entidades ligadas tanto à repressão aos protestos quanto ao apoio do Irã à Rússia na guerra contra a Ucrânia.

A Guarda Revolucionária reúne dezenas de milhares de integrantes e é um dos principais braços das Forças Armadas do país. A inclusão na lista terrorista também sinaliza uma mudança de posição em capitais europeias que, até recentemente, resistiam à proposta. A França retirou sua oposição na 4ª feira (28.jan). “A coragem inabalável dos iranianos, que foram alvo dessa violência, não pode ser em vão. Por isso, hoje adotaremos sanções europeias contra os responsáveis”, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot.

A Itália também passou a apoiar a medida às vésperas da reunião, citando a brutalidade da repressão, e a Espanha manifestou apoio formal à designação. Para o chanceler dos Países Baixos, David van Weel, imagens recentes vindas de Teerã mostram que foi ultrapassada “uma grande linha” para os países da UE.

O número exato de mortos é difícil de confirmar por causa de um bloqueio de internet no país, mas estimativas iniciais apontam para ao menos 6.000 vítimas, com possibilidade de um total maior. Os Estados Unidos classificaram a Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019 e pressionam a UE a adotar a mesma medida. Na 4ª feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que “o tempo está se esgotando” para o regime iraniano.

PROTESTOS NO IRÃ

Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.

Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O Irã reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.

A SpaceX, de Elon Musk, passou a oferecer acesso à internet via satélite no Irã.

De acordo com a agência Reuters, que ouviu um integrante do governo iraniano, ao menos 5.000 pessoas morreram nos protestos. O número, contudo, não foi confirmado oficialmente.

Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.

  • Ali Khamenei – o aiatolá de 86 anos está no poder desde 1989. Ele comanda uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
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