As fortes tempestades de inverno que atingiram os Estados Unidos em janeiro criaram um cenário completamente adverso para a mineração de Bitcoin. As empresas do setor, pressionadas pela sobrecarga energética, reduziram suas operações e provocaram uma queda acentuada na produção diária. Os novos dados da CryptoQuant revelam que o impacto foi imediato, profundo e, ao mesmo tempo, revelador sobre a dependência do setor das condições climáticas e da infraestrutura elétrica.
As análises mostram que a produção entre as mineradoras de capital aberto despencou justamente no auge da crise. Normalmente, essas empresas geram entre 70 e 90 bitcoins por dia, mas durante a tempestade alguns dias registraram apenas 30 a 40 BTC, segundo Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant. Esse recuo ocorreu de forma voluntária, já que as empresas precisaram aliviar a pressão sobre a rede durante o período de frio extremo.
A tempestade cobriu grande parte dos EUA com neve, gelo e temperaturas negativas. Por isso, diversas companhias reduziram imediatamente suas operações. Esse movimento evidenciou, mais uma vez, como a mineração depende de maneira direta da estabilidade energética nacional.
Ao longo dos dias seguintes, a produção começou a mostrar uma recuperação parcial. No entanto, os dados indicam que a interrupção foi significativa e afetou mineradoras como Core Scientific, CleanSpark, Marathon, Riot Platforms, TeraWulf e Cipher Mining. Todas mantêm grandes operações no país e sofreram com os efeitos da tempestade.
Além disso, levantamentos anteriores já apontavam uma queda relevante no poder computacional do Bitcoin e, curiosamente, uma alta nas ações de mineradoras listadas em bolsa. Esse contraste levantou discussões sobre como o mercado reage a choques externos no setor.
O episódio ocorre em um momento em que as mineradoras enfrentam margens apertadas. A combinação de custos operacionais elevados, queda do preço do Bitcoin e menor capacidade de processamento já vinha reduzindo os ganhos desde 2025.
A publicação especializada The Miner Mag classificou o cenário como o “ambiente de margem mais difícil de todos os tempos“. Os motivos incluem energia mais cara, capital restrito e receitas comprimidas após o halving. Assim, qualquer choque externo, como a tempestade, amplia ainda mais as pressões sobre o setor.
Para 2026, as previsões seguem desafiadoras indicam um movimento crescente das mineradoras rumo à inteligência artificial e à computação de alto desempenho, estratégias vistas como alternativas para compensar a queda da lucratividade tradicional da mineração.
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