O Palmeiras rescindiu nesta 2ª feira (2.fev.2026) o contrato de patrocínio com o Grupo Fictor depois de a empresa ter entrado com um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Em nota divulgada nas redes sociais, o clube paulista afirmou que avalia “providências legais cabíveis” para receber os valores devidos pela empresa.
“A Sociedade Esportiva Palmeiras informa a rescisão do contrato de patrocínio com a Fictor, em razão de inadimplemento contratual e do pedido de recuperação judicial realizado pelo grupo, conforme previsto no acordo pactuado entre as partes em março de 2025. O clube estuda as providências legais cabíveis para o recebimento dos valores devidos pela Fictor”, afirmou o clube.
Mais cedo, o Palmeiras havia anunciado que seu departamento jurídico analisaria o contrato de patrocínio com a empresa. O vínculo foi assinado em março de 2025. A marca está estampada nos uniformes das categorias de base e nas costas dos times principais, tanto masculino quanto feminino.
O acordo de patrocínio determinava o pagamento de R$ 30 milhões por temporada, com duração prevista de 3 anos, podendo ser estendido para 4. A parceria também incluía os direitos de nome de um torneio Sub-17 organizado pelo clube, denominado Copa Fictor.
No domingo (1º.fev), o Grupo Fictor protocolou pedido de recuperação judicial no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo), em uma iniciativa que, segundo a empresa, busca preservar a continuidade das atividades e os postos de trabalho. A medida abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest e formaliza a renegociação de compromissos financeiros que somam R$ 4 bilhões. As demais empresas do conglomerado ficaram fora do processo.
A Fictor Holding Financeira atribuiu seus problemas financeiros à repercussão negativa após tentar adquirir o Banco Master, em novembro de 2025. A operação não se concretizou antes da liquidação extrajudicial determinada pelo BC (Banco Central). Após o pedido de recuperação judicial, as ações da Fictor Alimentos caíram 38,5% nesta 2ª feira (2.fev).
Segundo a Fictor, a pressão sobre o caixa teve início em novembro passado, após o Banco Central decretar a liquidação do Banco Master. Um consórcio liderado por um sócio do grupo havia anunciado uma proposta para adquirir o controle do banco, mas a decisão regulatória, no dia seguinte, desencadeou especulações de mercado e uma sequência de notícias negativas que afetaram a liquidez da Fictor Holding e da Fictor Invest. A prisão do banqueiro e fundador do Master, Daniel Vorcaro, também contribuiu para o agravamento do cenário.
A empresa afirma que, até então, não havia registros de inadimplência e informa que já vinha adotando medidas de reestruturação, como a redução da estrutura física e do quadro de colaboradores, com foco na proteção de direitos trabalhistas.
Fundado em 2007, o Grupo Fictor atua em áreas como alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e soluções de pagamento. A principal subsidiária industrial, a Fictor Alimentos S.A., mantém unidades em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, com cerca de 3.500 empregos diretos e 10.000 indiretos. Essas operações não integram o pedido de recuperação e devem seguir com contratos e projetos em curso.


