A portabilidade de crédito via Open Finance começou a operar oficialmente na 2ª feira (2.fev.2026). O sistema permite a transferência de empréstimos e financiamentos entre bancos de forma 100% digital e automática. A medida, oficializada pelo BC (Banco Central) após deliberação do Conselho Monetário Nacional, visa a aumentar a concorrência no setor bancário e reduzir as taxas de juros para o consumidor final.
A nova funcionalidade permite que clientes transfiram suas dívidas para instituições que ofereçam condições mais vantajosas pelo aplicativo de celular. O processo de portabilidade deve ser concluído em até 5 dias úteis. “Isso é um grande ganho em relação ao que a gente já tem no mercado hoje, que muitas vezes chega a levar 20, 25 dias para operacionalizar a portabilidade”, afirma a CEO da Open Finance, Ana Abrão, em entrevista a jornalistas nesta 3ª feira (3.fev).
A portabilidade de crédito já existia no sistema financeiro brasileiro. Agora ganha um canal adicional por meio do Open Finance. A Caixa foi o 1º banco a concluir todas as etapas dos testes de portabilidade de crédito pelo ecossistema. Outras 26 instituições que participaram da fase de testes já estão aptas a disponibilizar o serviço aos seus clientes.
Segundo dados divulgados pelo Open Finance nesta 3ª feira (3.fev), cerca de 266 instituições –entre elas bancos, instituições de pagamento, cooperativas de crédito e fintechs– já participam da iniciativa.
A modalidade utiliza o compartilhamento autorizado de dados para facilitar a migração. O ecossistema permite que informações financeiras, como histórico bancário, investimentos e seguros, sejam compartilhadas, desde que o cliente autorize.
Na prática, o usuário poderá comparar as propostas do banco de origem e do banco de destino na mesma tela. Para Mayara Santos, líder de produto de portabilidade de crédito da Open Finance, essa transparência é fundamental para que o “cliente possa fazer análise e entender se é melhor aceitar a contraproposta ofertada pela credora original ou seguir com o pedido de portabilidade”.
O serviço será disponibilizado inicialmente para o crédito pessoal (sem garantia e não consignado). Após essa etapa, o Banco Central passará a articular a portabilidade do crédito consignado, com a expectativa de que o serviço esteja plenamente operacional em novembro de 2026.
Embora a nova funcionalidade foque inicialmente em modalidades simplificadas, segundo Abrão, o impacto econômico continua expressivo. “Apesar de começar pelo modelo mais simples, o crédito sem garantia impacta muita gente. Mesmo de olho nos créditos com garantias, o modelo atual ainda é uma fonte essencial para a sociedade”, afirma.
A integração foi consolidada por normativas do BC para eliminar a “assimetria de informação”, permitindo que bancos concorrentes conheçam o perfil do cliente e ofereçam propostas mais agressivas para captar o contrato.
Esta reportagem foi escrita pela estagiária de Jornalismo Gabriella Santos sob orientação da editora Thaís Ferraz.


