O Bitcoin (BTC) despencou neste início de fevereiro e atingiu a marca de US$ 60 mil na madrugada desta sexta-feira (6) em queda de 15% — menor patamar desde setembro de 2024 — dois meses antes da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.
A principal criptomoeda do mercado já havia perdido a faixa de US$ 70 mil no início da sessão de quinta-feira (5) — patamar que retomou na tarde desta sexta, aos US$ 71 mil. Mas durante a queda inicial, a pressão vendedora se intensificou e o bitcoin acumula queda próxima a 20% no ano.
Em entrevista ao Monitor do Mercado, Paulo Camargo, embaixador da OKX, afirmou que a queda do bitcoin não pode ser atribuída apenas a fatores internos do mercado cripto. Segundo ele, o movimento está inserido em um processo mais amplo de redução de risco global.
“A correção nas ações de tecnologia funcionou como um dos principais gatilhos, embora não tenha sido o único fator, em um ambiente de questionamento sobre resultados das big techs e sobre a sustentabilidade dos investimentos em inteligência artificial”, disse.
Analistas apontam que o bitcoin tem operado em linha com outros ativos de risco, como ações, em um ambiente de menor liquidez. A queda ocorreu em paralelo à terceira sessão consecutiva de recuo das bolsas de Nova York, em meio à liquidação de papéis do setor de tecnologia.
O movimento foi acompanhado pela queda dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) e pela valorização do dólar. Investidores também reagiram a dados mais fracos do mercado de trabalho americano e a incertezas relacionadas ao avanço da inteligência artificial.
Segundo dados da CoinGecko citados pela Reuters, o mercado global de criptomoedas já perdeu cerca de US$ 2 trilhões em valor de mercado desde o pico de US$ 4,4 trilhões registrado em outubro.
Na avaliação da Stifel, a correção pode não ter terminado. Em relatório, a corretora afirmou que, com base em padrões observados em ciclos anteriores de baixa, o bitcoin poderia recuar até 70% em relação ao recorde histórico, alcançando níveis próximos de US$ 38 mil.
Em relatório enviado a clientes, ao qual o Monitor do Mercado teve acesso, a Altside, consultoria de investimentos especializada no mercado cripto, reforçou que, historicamente, o cenário atual costuma revelar boas oportunidades de mercado.
“Tecnicamente, o mercado está esticado para baixo. Indicadores de “sobrevenda”, como o RSI (Índice de Força Relativa) sugerem que a força vendedora está
exausta. O preço atingiu a mínima das últimas 15 semanas, zonas onde estatisticamente a pressão de venda tende a diminuir, abrindo espaço para repiques
técnicos”, afirmou a consultoria.
No entanto, a equipe de research da Altside apontou que, apesar desse histórico positivo sugerir uma possível recuperação, é necessário ser cauteloso. “O indicador ainda pode cair um pouco mais antes de o preço voltar a subir de verdade. Portanto, precisamos manter as estruturas de operações saudáveis”, afirmaram em relatório.
Para Maximiliaan Michielsen, analista da 21Shares, a queda atual resulta de uma combinação de fatores técnicos e macroeconômicos, e o comportamento dos preços nos próximos dias será decisivo.
“O bitcoin voltou a se aproximar de níveis vistos antes da alta provocada pelas eleições de 2024. A velocidade da queda chamou atenção, impulsionada por uma forte redução de alavancagem, com liquidações forçadas acelerando o movimento antes que a demanda no mercado à vista começasse a estabilizar os preços”, afirmou.
Segundo Michielsen, o ativo agora testa uma região que historicamente tem relevância para o ciclo mais amplo do mercado. “A questão é se estamos diante de uma correção profunda dentro de uma tendência ainda em curso ou de uma mudança mais significativa na estrutura do mercado”, disse.
Em seu relatório, a Altside mencionou o índice Fear & Greed (Medo e Ganância), indicador utilizado para medir o sentimento do mercado cripto (semelhante ao índice VIX).
O índice opera próximo dos 11 pontos, indicando medo extremo, e repetindo o nível visto em 20 de novembro do ano passado.
“Historicamente, quando o medo está neste nível, abaixo dos 20 pontos, estamos próximos de fundos de mercado”, explica a equipe da Altside.
No entanto, ao analisar os últimos períodos em que o índice Fear & Greed permaneceu abaixo de 20, a consultoria observou que havia uma relação com fases de estresse elevado e capitulação no mercado. E após esses eventos, o bitcoin apresentou os seguintes retornos:
Na avaliação do analista, caso os preços atuais não se sustentem, o bitcoin pode entrar em um cenário de baixa mais prolongado. “Existe a possibilidade de recuo para a faixa entre US$ 55 mil e US$ 60 mil, região próxima ao preço realizado e à média móvel de 200 semanas”, explicou.
Esses indicadores técnicos são amplamente utilizados por investidores para identificar tendências de longo prazo no mercado cripto.
Camargo avalia que há sinais de enfraquecimento do ciclo de alta e que, na prática, o Bitcoin entrou em uma correção que pode ser caracterizada como um bear market, mas não nos moldes clássicos vistos em ciclos anteriores.
“A institucionalização do bitcoin, com a entrada de ETFs e maior participação de capital tradicional, altera a dinâmica do ativo. Isso tende a mudar a profundidade e a duração das correções em relação a ciclos anteriores”, disse.
No curto prazo, ele aponta que a região dos US$ 60 mil se tornou um suporte relevante. Abaixo desse nível, a faixa próxima aos US$ 53 mil passa a ser observada como referência adicional.
Por outro lado, a Altside acredita que, apesar da turbulência de curto prazo, os fundamentos de longo prazo do Bitcoin permanecem sólidos. “Este movimento é uma correção dentro de um ciclo maior, influenciada por fatores externos”, disse.
Apesar da correção, Camargo destaca que o cenário macroeconômico ainda pode favorecer ativos de risco nos próximos meses, caso haja redução das incertezas globais e expectativa de juros mais baixos.
Segundo ele, a mudança no equilíbrio entre oferta e demanda será determinante para o próximo movimento direcional do bitcoin, em um mercado que passa por reavaliação após meses de forte valorização.
O post Bitcoin derrete quase 20%, mas medo extremo costuma anteceder altas, alerta consultoria apareceu primeiro em Monitor do Mercado.

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