Governador do ES falou sobre planos para o Senado em 2026, sucessão no Estado, balanço de seu governo e fez avaliação sobre LulaGovernador do ES falou sobre planos para o Senado em 2026, sucessão no Estado, balanço de seu governo e fez avaliação sobre Lula

Leia a íntegra da entrevista de Renato Casagrande ao Poder360

2026/02/08 17:00
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O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), 65 anos, concedeu entrevista ao Poder360, na sede do governo do Estado, o Palácio Anchieta, em Vitória (ES).

Casagrande falou sobre concorrer ao Senado em 2026 -tema que ainda não está definido -, sobre a sucessão no Estado, fez um balanço sobre sua gestão e avaliou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Assista à íntegra do Poder Entrevista com o governador Renato Casagrande (21min39s):

Leia a íntegra da entrevista:

Poder360 – Governador, gostaria que fizesse uma avaliação e trouxesse quais foram os 2 principais acertos e os 2 principais erros deste 3º mandato.

Renato CasagrandeEstamos no último ano dele. Lá no 1º, em 2011 até 2014, e depois de 2019 para cá, a gente conseguiu fazer com que o Estado pudesse se transformar. As pessoas quando se referem ao Espírito Santo, hoje, se referem com muito entusiasmo por tudo aquilo que a gente está fazendo junto à sociedade capixaba e às demais instituições.

Eu acredito que o meu grande acerto foi fazer um investimento forte em educação. Desde que a gente assumiu em 2019, nós tínhamos 32 escolas com educação em tempo integral. Neste ano de 2026, chegamos a 232 escolas com educação em tempo integral. 1º lugar na educação do ensino médio no Brasil. Avançamos bem no ensino fundamental 1 e 2. Então, ter colocado a educação no centro do nosso projeto administrativo foi um grande acerto que a gente teve.

Da mesma forma, a retomada em 2019 do programa “Estado Presente”, que é o programa de enfrentamento à criminalidade. Em 2011, quando assumi o governo, o Estado era o 2º mais violento do Brasil. Tínhamos em 2009, um ano antes de eu assumir o governo, o maior número de homicídios da história do Espírito Santo. Chegamos a 2.034 homicídios, 58 homicídios por 100.000 habitantes. Isso gerou um debate muito grande na sociedade. Por isso nós montamos o programa Estado Presente. Em 2019, quando eu retornei ao governo, retomei o programa. A gente fecha 2025 com a menor taxa de homicídios da nossa história.

Então, são 2 programas importantes, tanto na educação, que a gente trabalhou muito com os municípios, quanto o programa de enfrentamento da criminalidade, que também teve um resultado muito grande.

Agora, os erros, eu não posso tratar como erros, mas como desafios que nós temos ainda. No Estado do Espírito Santo, são desafios que estão colocados para nós: o desafio da segurança pública, que continua para a gente. Temos de dar sequência ao trabalho que a gente está fazendo. E o desafio de a gente poder sobreviver ao novo sistema tributário que foi aprovado no Congresso Nacional.

O Estado do Espírito Santo é um estado pequeno em população, então temos de enfrentar esses desafios. Então eu vou trocar erros por desafios. São desafios que a gente vai ter que continuar enfrentando com investimentos em infraestrutura, como a gente tem feito. A gente tem o maior percentual de investimento em infraestrutura do Brasil. A gente investe 20% da nossa receita total em infraestrutura. Então isso é uma garantia de que o estado vai se tornar mais competitivo, mais eficiente.

Levantamento de 25 de janeiro de 2026 do Poder360 mostrou que a taxa de mortes violentas nos estados está em 16 por 100.000 habitantes. O Espírito Santo ainda está acima da média com uma taxa de 20,2. Por que ainda está nesse nível e o que falta?

Falta continuar e aperfeiçoar o trabalho, sempre. Estamos com 20 homicídios por 100.000 habitantes, saímos de um pico de 58 homicídios por 100.000 habitantes. A gente tinha 2.000 homicídios por ano, fechamos 2025 com 796 homicídios.

Estamos em processo de queda, mesmo tendo tido, de 2015 até 2018, uma interrupção do programa Estado Presente, que levou a uma manifestação forte da polícia militar. Erro da polícia militar, dos que participaram, e erro do governo na época [Paulo Hartung] que não soube sentir e se antecipar ao problema.

Mesmo assim a gente está num processo de queda, saímos da 2ª posição para estarmos praticamente na média brasileira hoje. Então, se a gente continuar fazendo investimento, se o Estado não parar de fazer investimento em segurança pública, vamos estar entre os mais seguros do Brasil em pouco tempo.

Estamos fazendo e produzindo resultados. Há diversos municípios em que a gente tem conquistado essa melhora através da ação policial, mas também da ação social. Na educação em tempo integral, na parceria tem com os municípios, na capacidade de articular a ação junto com os municípios, nas guardas municipais, na Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal.

Tudo isso, com o Judiciário, Ministério Público, Defensoria, tem ajudado a gente a conquistar o resultado que hoje registramos. A gente não comemora, mas registra: a menor taxa de homicídios da nossa história em 2025.

Copyright Bruno Gaudêncio/Poder360 – 27.jan.2026
“Se eu disputar a eleição, disputaria ao cargo de senador. Vou tomar uma decisão agora até o dia 15 de março”, afirma Casagrande

Esse é o seu 2º mandato consecutivo. Quem vai apoiar em 2026 para comandar o Palácio Anchieta?

Para dar sequência e aperfeiçoar um trabalho que conquistou tantos resultados nesses últimos anos, de tanta transformação, dar continuidade a ele, o nome que estamos apresentando como pré-candidato é o de Ricardo Ferraço (MDB), o vice-governador. Ele tem o compromisso de dar sequência ao trabalho, de aperfeiçoaro. Ele conhece o Estado do Espírito Santo, conhece as lideranças, conhece os municípios, os distritos, conhece os programas que nós estamos desenvolvendo.

Não teremos perda de tempo com ele sendo eleito governador do Estado e a gente vai continuar nesse ritmo que estamos tendo hoje. Ritmo de fortes investimentos nos municípios, um trabalho forte com os prefeitos, com os vereadores, com as lideranças municipais. Isso tudo vai ter sequência com ele, por isso que ele é o nosso pré-candidato. Assim a gente pode fazer o debate eleitoral a partir da hora que começar de fato a eleição.

Desde 2011, o Espírito Santo se alterna entre o seu grupo político e o do ex-governador Paulo Hartung. Como avalia esse ciclo de alternância com as eleições de 2026? Continua ou se encerra? Caso não se encerre, como avalia a continuidade dos trabalhos que está propondo?

Não posso dizer que o ciclo vai se encerrar. Porque eu acho que o próximo mandato poderá ser de fato o fim, a transição para um novo ciclo. Dependendo do resultado da eleição, pode se encerrar ou pode ter ainda mais um período para de fato fazer a transição e a mudança de outras lideranças que possam assumir o Estado do Espírito Santo.

Este ciclo é um ciclo que tem suas conquistas, conquistas importantes para a sociedade capixaba. Eu tive a oportunidade, nos meus 3 mandatos, de dar a minha contribuição para que o Estado pudesse conquistar o respeito que conquistamos, de ampliar os investimentos, como nós ampliamos.

Em 2018, o Estado fez um investimento em infraestrutura de R$ 900 milhões. Fizemos, em 2025, R$ 4,8 bilhões de investimento em infraestrutura. O mesmo Estado com o mesmo número de servidores. Foi uma decisão política de se fazer fortes investimentos.

Deixo um Estado com nota “A” na gestão fiscal. Todos os meus anos de governo, desde lá, quando o Ministério da Fazenda e a Secretaria do Tesouro Nacional começaram a avaliar a nota de gestão fiscal. Isso, a partir de 2013, que foi editada a nota, eu já governava com nota “A” na gestão fiscal. Hoje, é nota “A+” na gestão fiscal. Deixo o Estado com o maior percentual de investimento em infraestrutura do Brasil e com nota “A+” de gestão fiscal.

Outro ponto, deixo um Estado com fundo soberano. Somos o único Estado que tem um fundo soberano. Reservo parte da receita corrente líquida advinda do petróleo para a gente poder fazer o incentivo à transição energética, à inovação tecnológica e um pedaço disso para poupança intergeracional.

Então, quem olha para esse estado, vê a transformação que a gente fez. Eu dei a minha contribuição como governador para poder chegar ao ponto em que nós chegamos. E poder, de fato, dizer o seguinte: se a gente continuar nesse caminho e nesse ritmo, o Estado… Ele [ES] não quer ficar na frente de nenhum outro Estado, mas não vamos ficar atrás em nenhuma política pública.

Copyright Bruno Gaudêncio/Poder360 – 27.jan.2026
“Meu grande acerto foi fazer investimento forte em educação”. Em 2º lugar coloca o enfrentamento à criminalidade. Sobre seus “erros”, diz preferir a palavra “desafios” e elenca: segurança pública e implementação do novo sistema tributário

Levantamento do Poder360 mostrou que entre as capitais brasileiras, Vitória lidera 2025 com o maior índice de inflação acumulada no ano (4,99%), enquanto a média nacional fica em 4,26%. Como avalia o desempenho da economia diante desses números e quais políticas implementadas pelo seu governo podem explicar, ou ainda, ajudar a reverter o fato de Vitória liderar esse ranking?

Isso é conjuntural, né? Isso muda com muita rapidez e com muita frequência. A pressão econômica aqui é muito forte. A atividade econômica aqui é mais forte do que a atividade econômica do Brasil. Veja que a gente chegou ao menor número de pessoas desempregadas da história do nosso estado no ano de 2025. Ficamos em 3º lugar no Brasil com pessoas desempregadas. Então, isso tudo pressiona o consumo. Que é a parte positiva da economia crescendo. Isso tudo pressiona, mas é conjuntural. Não tenho nenhuma dúvida que na hora que a economia se estabilizar, os preços também caem. E a gente pode ir fazendo essa observação e esse acompanhamento sem estarmos usando esse dado como um dado definitivo.

A que fatores o senhor associa essa conjuntura? O que inclui?

A atividade econômica mais forte e pressão por consumo. Esta época de verão aqui é muito intensa. A presença muito forte de turistas, com renda que aumenta nesse período do ano. Então você tem uma atividade econômica mais intensa que pressiona os preços dos produtos, porque a demanda é muito forte.

O governo do ES assinou contrato do fundo de descarbonização com o BTG Pactual, com aporte de R$ 500 milhões do fundo soberano do Estado. Como define a prioridade desse fundo na política econômica e ambiental do Estado, e que tipo de projeto o governo quer ver financiado na prática?

Primeiro vou dizer que esta é uma medida inovadora, é uma ação inovadora. Estávamos falando aqui antes de começar a entrevista sobre a COP de Belém, falando da COP da implementação. Este é um exemplo de implementação. Aquilo que estamos fazendo para poder sair daquela conversa: “Ah, cadê o financiamento? Tem financiamento? Não tem financiamento?”. O governo do Estado do Espírito Santo demonstra que a gente pode fazer o financiamento, desde que você tenha responsabilidade com as contas públicas.

Logo, nós fizemos uma seleção. O BTG Pactual ganhou por quê? Ganhou porque vai aportar em contrapartida o maior volume de recurso para poder se somar aos R$ 500 milhões do fundo soberano. Então, o fundo soberano começa com R$ 1 bilhão: R$ 500 milhões do fundo soberano capixaba, nosso aqui, mais R$ 400 e poucos milhões do BTG Pactual para a gente poder fazer o financiamento de empresas que apresentem propostas de transição energética.

Tudo aquilo que a gente recebe de proposta das empresas tem que ter como objetivo fazer a troca de fonte fóssil para a fonte renovável. Ou de eficiência energética, ou de captura de carbono, também podemos financiar. O conselho do fundo é o BTG Pactual, junto com o Bandes [Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo], vão avaliar quais são os projetos de maior impacto.

Também não tem dinheiro para tudo. Mas este fundo de descarbonização é um fundo aberto. Empresas presentes aqui como a Vale, ArcelorMittal, Samarco, e bancos internacionais podem aportar recurso e podem ser cotistas desse fundo para financiar, por exemplo, seus fornecedores. Se a ArcelorMittal, se a Vale, se a Samarco Mineração, se a Petrobras, quiserem aportar um recurso no fundo de descarbonização para financiar a transição energética dos seus fornecedores, nas condições do fundo de descarbonização, poderão fazer isso.

Bancos internacionais que quiserem aportar algum recurso no Brasil poderão usar também o mecanismo do fundo soberano, aportando recurso aqui como cotista desse fundo. Então, é uma medida totalmente inovadora e o Espírito Santo dá um exemplo claro de como a gente pode, num governo que tem esse nível de organização, avançar para a gente poder financiar a transição energética.

Como garantir que essa política tenha resultados mensuráveis e não só seja lida como um sinal político?

Só ver o que a gente está fazendo nessa área. Temos no governo do Estado uma política e um programa de mudanças climáticas que já fazem com que toda a energia consumida hoje seja de fonte renovável, por exemplo. Todo o combustível dos carros é de etanol, e não mais gasolina. Então, são medidas concretas que a gente está apresentando para a sociedade capixaba.

Na contratação de energia renovável, na contratação de combustível renovável, na implementação de programas, como o Programa Reflorestar, que recupera a cobertura florestal no Estado do Espírito Santo e no Cadastro Ambiental Rural, que é do código florestal, o CAR, a gente já chegou a mais de 90% das propriedades cadastradas e agora começamos a fazer o plano de recuperação ambiental de cada propriedade, georreferenciadas. Então, há um controle muito grande dessas propriedades.

Tudo isso compõe o Programa Capixaba de Mudança Climática. E o fundo de descarbonização é mais uma ação que mostra, de fato, como é prático a gente executar uma política quando você tem diretriz clara.

Copyright Bruno Gaudêncio/Poder360 – 27.jan.2026
“Meu grande acerto foi fazer um investimento forte em educação”, afirma o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) em entrevista ao Poder360

O senhor vai tentar algum cargo em 2026? E se sim, qual?

Vou decidir agora, até o mês de março, se eu vou disputar a eleição ou não. Se eu disputar a eleição, disputaria a eleição no cargo de senador, mas estou num processo de escuta e de conversa com lideranças no estado para poder, de fato, tomar uma decisão agora até o dia 15 de março.

Sobre o governo Lula, é possível indicar algo positivo e algo negativo da gestão do petista?

Algo positivo, eu considero que o governo está tendo bons resultados. Na área da economia. Desemprego caindo, atividade econômica alta. Mas também políticas públicas na área de logística. Isso tem avançado muito. Concessões de rodovias, muitas concessões de rodovias. Então, na infraestrutura, na economia, e retomar os programas sociais. Tem muitos pontos positivos do governo Lula.

A parte negativa, eu considero que é a falta de sinais claros de comunicação para a população que tem posições políticas mais de centro. Com isso a gente poderia ampliar um pouco a base política do governo do presidente Lula. Não há sinais claros de contenção de despesa, ou sinais claros de equilíbrio das contas públicas. Acho que essa parte de comunicação ainda é negativa do governo do presidente Lula.

Copyright Barbara Pinheiro/Poder360 – 27.jan.2026
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), 65 anos, concedeu uma entrevista ao Poder360, na sede do governo do Estado, o Palácio Anchieta, em Vitória (ES). Falou que pensa em concorrer ao Senado em 2026 -mas ainda não se decidiu -sucessão no Estado, fez um balanço sobre seu governo e avaliou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
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