O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, bateu o 11º recorde nominal de 2026 em menos de 45 dias de negociações na B3 e rompeu os 190 mil pontos nesta quarta-feira (12). No entanto, uma análise da consultoria Elos Ayta, mostra que a leitura muda quando o desempenho é ajustado pela inflação e pela variação cambial.
Quando corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o recorde em pontos correntes do Ibovespa é de 195.844 pontos, atingido em 20 de maio de 2008, pouco antes da crise financeira.
Cálculos da Elos Ayta mostram que o índice ainda precisa avançar mais 3,24% em relação ao fechamento desta quarta (189.699 pontos) para superar o antigo pico em termos de poder de compra.
A leitura muda de forma mais significativa quando o índice é convertido para dólar, métrica mais utilizada por investidores internacionais.
Segundo a consultoria, o Ibovespa atingiu 44.616 pontos em dólar em 19 de maio de 2008, enquanto atualmente opera em 36.596 pontos na moeda americana.
A distância para o topo, nesse caso, é de 21,92%. Esse diferencial reflete, principalmente, a trajetória do câmbio brasileiro ao longo dos últimos anos e o prêmio de risco ainda embutido nos ativos locais.
Se o Ibovespa avançar pouco mais de 3%, poderá superar um patamar real que não é visto desde 2008. Esse movimento teria impacto direto para o investidor local.
Para que o índice volte ao topo em dólar, seria necessário um avanço mais amplo, combinando valorização adicional das ações e um real mais forte frente à moeda americana.
Segundo a Elos Ayta, a diferença entre esses dois marcos — 3% em reais e quase 22% em dólar — ajuda a explicar por que o momento atual pode ser lido de formas distintas no mercado doméstico e no cenário global.
Em comentário enviado ao Monitor do Mercado, Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, avalia que “um dólar estruturalmente mais fraco tende a favorecer o real e os ativos domésticos, ampliando a atratividade relativa do mercado local em um cenário de maior liquidez internacional”.
Na visão de Olívia, o momento positivo tem influência não só do ambiente externo, como da temporada de resultados corporativos. Nesta quarta, o relatório de produção e vendas da Petrobras (PETR3; PETR4) ajudou a impulsionar os papéis da estatal, e consequentemente o Ibovespa.
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