O Bitcoin segue perto de US$ 69.490, depois de perder mais de 44% desde o recorde histórico de US$ 126.296, alcançado em outubro de 2025. A queda já dura quatro meses e, segundo novos dados da Ecoinometrics, o processo de recuperação ainda parece distante, mesmo com pequenas altas ocasionais ao longo da semana.
Fonte coinmarketcap
As saídas recentes dos ETFs de Bitcoin à vista reforçam esse cenário. Apesar de alguns dias de entradas significativas, o quadro geral mostra uma tendência persistente de venda. O fluxo acumulado dos últimos dez dias está em -18.000 BTC, e as quatro semanas consecutivas de perdas já somam US$ 360 milhões, número que indica forte retração institucional.
Mesmo uma entrada pontual de US$ 15,2 milhões na última sexta-feira não alterou o humor dos mercados. Os analistas lembram que dias isolados de entradas não mudam tendências sólidas em mercados de baixa, porque a reversão só ocorre quando há pressão constante de compra.
Segundo a Ecoinometrics, o comportamento atual do mercado repete padrões vistos em correções anteriores do Bitcoin e também em períodos de queda do índice Nasdaq 100. A análise indica que quedas longas tendem a se tornar mais profundas antes de encontrarem um fundo confiável.
O Bitcoin já acumula 128 dias de correção, chegando a registrar mais de 50% de desvalorização em seu ponto mais extremo. E, quando uma queda ultrapassa 100 dias, a história mostra que a recuperação costuma levar meses, e raramente semanas. Isso faz com que investidores adotem uma postura mais cautelosa, aguardando sinais que ainda não apareceram.
A pressão adicional vem do próprio mercado acionário. O Nasdaq 100 também apresenta forte retração, o que importa porque o Bitcoin costuma acompanhar o movimento das ações de crescimento dos EUA, especialmente em períodos de incerteza.
Apesar do desaquecimento do mercado de criptoativos, as vendas do varejo nos Estados Unidos continuam crescendo. Essa resiliência do consumo afasta a possibilidade de recessão no curto prazo, mas também reduz a urgência para cortes de juros. Além disso, o Federal Reserve manteve a taxa entre 3,5% e 3,75% em janeiro, e os mercados só esperam o primeiro corte para junho.
A manutenção dos juros elevados prolonga as condições financeiras restritivas, e isso pressiona todos os ativos de risco. O Bitcoin, naturalmente, não escapa desse movimento.
Para os analistas, o indicador-chave a observar não é um dia de entrada de capital nos ETFs ou uma recuperação repentina no fim de semana. O verdadeiro sinal de reversão virá apenas quando houver semanas seguidas de compras constantes.
A conclusão da Ecoinometrics é direta: ainda não há evidências de que o capital esteja retornando aos mercados de risco. Em quedas longas como esta, tentar antecipar o fundo normalmente custa caro. O movimento mais sensato, por enquanto, é manter a paciência enquanto o mercado busca um novo equilíbrio.
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