O Congresso da República do Peru destituiu o presidente do Congresso e presidente interino da República, José Jerí (Somos Peru, centro-direita), de 39 anos, por meio de uma moção de censura aprovada nesta 3ª feira (17.fev.2026). Foram 75 votos favoráveis à remoção do mandatário.
O processo foi motivado por encontros não divulgados mantidos com empresários chineses, o que levantou suspeitas de tráfico de influência. O principal argumento dos opositores foi a falta de transparência nas reuniões extraoficiais, que normalmente eram realizadas em restaurantes ou lojas de Lima, principalmente durante a madrugada.
O caso ficou conhecido como “Chifagate” –uma referência à culinária “Chifa”, conhecida por mesclar elementos peruanos e chineses. No total, o mandatário ficou apenas 130 dias na presidência.
A destituição de Jerí foi feita após a protocolação de 7 moções de censura. Esse processo exige maioria simples no Congresso peruano –o que equivale a 66 votos dos 130 congressistas.
No país, as moções diferem de um impeachment, que necessitaria de 87 votos para ser aprovado. Na votação, 24 congressistas se posicionaram contra a destituição e 3 se abstiveram. O partido de Jerí defendia que o processo deveria seguir o rito de impeachment, não o de censura, mas afirmou que respeitaria o resultado da votação parlamentar.
Jerí assumiu Presidência em outubro de 2025, após a destituição da ex-presidente Dina Boluarte (sem partido). Ela, por sua vez, havia substituído Pedro Castillo (Perú Libre, esquerda) em 2022.
A eleição do novo presidente do Congresso está marcada para 4ª feira (18.fev), em sessão plenária. O prazo para apresentar propostas de candidatos à Oficial Maior termina nesta 3ª feira às 18h no horário de Lima (20h no horário de Brasília).
Conforme o regulamento do Congresso, as propostas devem estar acompanhadas pela assinatura do porta-voz autorizado de 1 ou mais grupos parlamentares constituídos. Com a definição de um novo mandatário, o Peru terá o 9º presidente em 10 anos.
PRESIDENTES DO PERU
A sequência de trocas no comando do Executivo peruano começou depois do mandato de Ollanta Humala (2011-2016), único presidente a cumprir integralmente o período de cinco anos nesta década. Em abril de 2025, Humala foi condenado a 15 anos de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e recebimento de fundos ilícitos de campanha, em caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht.
Eis todos os presidentes do Peru, desde 2016:
- Pedro Pablo Kuczynski (28.jul.2016 a 23.mar.2018): assumiu a presidência em 2016, mas renunciou em 2018 após 1 ano e 7 meses de governo. A renúncia se deu um dia antes de o Congresso discutir uma moção de destituição, em contexto de crise política marcada por vídeos divulgados pelo Partido “Fuerza Popular”, que mostravam uma suposta compra de votos de seus aliados em troca de obras;
- Martín Vizcarra (23.mar.2018 a 9.nov.2020): sucedeu Kuczynski e governou até 2020, quando foi destituído pelo Congresso. O pedido de impeachment contra Vizcarra foi apresentado após o jornal peruano El Comércio divulgar detalhes de uma investigação com depoimentos de quatro delatores que afirmaram a um promotor que ele recebeu propinas quando era governador do distrito de Moquegua, entre 2011 e 2014;
- Manuel Merino (10.nov.2020 a 15.nov.2020): assumiu depois de Vizcarra, mas permaneceu apenas 5 dias no cargo;
- Francisco Sagasti (17.nov.2020 a 28.jul.2021): ocupou a presidência até a eleição de Pedro Castillo em 2021;
- Pedro Castillo (28.jul.2021 a 7.dez.2022): eleito pelo voto popular, não conseguiu concluir seu mandato. Com baixa popularidade e denúncias de corrupção, foi destituído depois de tentar dissolver o Congresso e instaurar um golpe de Estado. Atualmente cumpre 18 meses de prisão preventiva, acusado de rebelião e conspiração, além de ser investigado por liderar uma organização criminosa;
- Dina Boluarte (7.dez.2022 a 10.out.2025): foi a 1ª mulher a ocupar o cargo na história do Peru. Posteriormente, foi afastada pelo Congresso peruano por ter “incapacidade moral” para governar o país. Boluarte enfrenta acusações de enriquecimento ilícito e responsabilidade por repressões violentas durante protestos;
- José Jerí Oré (10.out.2025 a 17.fev.2026): assumiu a presidência após o afastamento de Boluarte. Ele tinha intenção de que permanecer no cargo até julho de 2026, mas foi destituído antes.
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