A Nestlé informou, nesta quinta-feira, 19 de fevereiro, que está com negociações avançadas para a venda de sua divisão de sorvetes no Canadá, Chile, Peru, China, Malásia e Tailândia para a Froneri, joint venture da própria companhia com a empresa de investimentos PAI. Com a novidade, a marca, que também é dona de grandes nomes como Häagen-Dazs, passa a deter 100% do negócio da Nestlé.

A movimentação foi comunicada pelo novo presidente da Nestlé, Philipp Navratil, após a divulgação do balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2025. Com a saída da área de sorvetes, o executivo busca reverter a situação complexa da multinacional suíça, que viu suas ações caírem mais de 18% nos últimos cinco anos.

A estratégia de Navratil agora é focar nos negócios de café, cuidados com animais de estimação, nutrição, alimentos e snacks. “Estamos concentrando nosso portfólio em quatro negócios, liderados por nossas marcas mais fortes, com recursos priorizados e uma organização simplificada”, afirmou o executivo.

Nessa onda de desinvestimentos, o executivo também deu continuidade aos planos de seu antecessor ao vender o negócio de águas, divisão que inclui marcas reconhecidas globalmente, como Perrier e Henniez. Além disso, a Nestlé está se desfazendo de suas frentes de vitaminas e suplementos.

Com essas mudanças estratégicas, a empresa informou que já alcançou 20% dos 3 bilhões de francos suíços em economias de custos previstas até o fim de 2027.

Para 2026, a projeção interna da companhia gira em torno de um crescimento de 3% a 4% nas vendas orgânicas, algo semelhante ao reportado no último trimestre do ano pela multinacional, com avanço de 3,5%.

Assim, a empresa busca elevar sua margem de lucro operacional, que encerrou 2025 em 16,1%. No período, o lucro líquido da multinacional caiu de 10,8 bilhões de francos suíços (aproximadamente US$ 14 bilhões) para 9,03 bilhões de francos suíços (US$ 11,6 bilhões).

Para atingir essas metas, a Nestlé precisará levar em consideração uma perda de 75 milhões de francos suíços (quase US$ 100 milhões) em vendas com o recall de suas fórmulas infantis, que foram acusadas pela Anvisa de conter contaminação bacteriana. Com isso, a companhia também deve sofrer danos de 110 milhões de francos suíços (US$ 142 milhões) em baixas de estoques.

Em meio a todo esse turbilhão de mudanças, a companhia ainda precisa retomar a confiança dos investidores, que passaram a duvidar de sua capacidade de reconstrução nos últimos anos.

Na visão de Cedric Besnard, analista do Citi, a reação de curto prazo deve ser positiva. “Esperamos uma reação positiva hoje, mas tememos que a continuidade possa ser limitada, a menos que ações mais tangíveis de portfólio sejam mencionadas nas próximas apresentações da empresa”, afirmou ao Financial Times.

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