A ação do Mercado Livre mergulhou 10% depois que a varejista divulgou um quarto trimestre com rentabilidade inferior à projeção do mercado, em grande parte por conta dos investimentos em crescimento.
A queda foi vista por alguns investidores e analistas como exagerada, e como um potencial ponto de entrada para a ação.
“A empresa está na fase de priorizar crescimento e não margem. Eles já estão vocais sobre isso há um tempo, e tem falado que isso faria sentido se as métricas qualitativas melhorassem juntos, o que está acontecendo,” disse a analista de uma gestora que tem o papel.
“Eles estão confiantes na estratégia e mantendo e ampliando a distância para os outros players.”
O Mercado Livre reportou mais um trimestre de forte expansão do top line, que cresceu 45% ano contra ano, comparado ao consenso de 40% dos analistas. As receitas da fintech cresceram 51%, enquanto a receita de ecommerce cresceu 40%, com destaque para o Brasil.
“Mas a magnitude dos esforços de opex veio acima de projeções que já tinham sido revisadas para cima,” escreveu o Bradesco BBI.
O opex veio 5% acima do consenso e a margem EBIT ajustada foi de 9%, uma queda de 4,5 pontos percentuais ano contra ano e abaixo dos 10,2% que os analistas projetavam.
O Mercado Livre disse que a queda do EBIT foi explicada principalmente pelos investimentos estratégicos que a companhia tem feito em frete grátis, no 1P, no ecommerce cross-border e no cartão de crédito. Segundo a empresa, esses fatores somados foram responsáveis por de 5 a 6 pontos percentuais de queda na margem EBIT.
“Embora o trimestre reforce ainda mais a robustez dos fundamentos de longo prazo — com KPIs operacionais muito sólidos, aceleração do crescimento da receita e maior consolidação entre unidades de negócio e geografias — entendemos que os resultados trazem de forma mais clara para o centro do debate a discussão sobre o custo do crescimento,” escreveu o Bradesco.
No trimestre, o Mercado Livre também reportou um lucro por ação 6% abaixo do consenso de mercado, o que deve levar a novas revisões negativas para o bottom line da companhia.
Apesar da pressão na margem, o Itaú BBA disse que acredita que a estratégia do Mercado Livre é a correta.
“Não é segredo que o Mercado Livre está passando por uma fase única em sua história, acelerando investimentos para defender (e expandir) sua liderança no e-commerce brasileiro. A estratégia está claramente funcionando. O GMV no Brasil continuou acelerando, com crescimento de 35% ano contra ano no quarto tri, apesar de um cenário macro significativamente mais desafiador. Como resultado, o GMV no Brasil cresceu 32% ano contra ano em 2025, frente a um crescimento estimado do mercado de cerca de 20%,” escreveu o banco.
“O lado negativo — como esperado — é que esse crescimento vem acompanhado de maior pressão sobre margens no curto prazo, devido ao nível elevado de investimentos. Como já visto diversas vezes ao longo de sua história, o Mercado Livre está novamente sacrificando rentabilidade de curto prazo para reforçar suas vantagens competitivas. Consideramos essa a decisão correta.”
O Itaú disse ainda que acha que os aumentos de take rate implementados no início deste ano (principalmente pela Shopee) já sinalizam que a fase mais intensa do ciclo de investimentos ficou para trás.
“Apesar do ‘miss’ de 9% no EBIT, a qualidade dos números — com GMV mais forte no Brasil e no México, melhora marginal na carteira de crédito e desempenho levemente melhor na Argentina — foi um destaque. Se as ações sofrerem nova queda, enxergamos como uma boa oportunidade de compra.”
O Mercado Livre vale US$ 89 bilhões na Nasdaq, com sua ação caindo cerca de 20% nos últimos doze meses.
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