O ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, declarou na 5ª feira (26.fev.2026) que o país entrou em “guerra aberta” com o Afeganistão, após uma série de bombardeios e confrontos na fronteira entre as duas nações. A escalada militar inclui ataques aéreos paquistaneses contra alvos do governo Talibã em cidades como Cabul, Kandahar e Paktia, além de combates terrestres em diversos pontos da fronteira de 2.600 km.
Em publicação nas redes sociais, Asif afirmou que a paciência de Islamabad chegou ao limite. Disse que o Paquistão tentou manter a estabilidade por meios diplomáticos, mas que o Talibã transformou o Afeganistão em base para grupos militantes e atua como aliado indireto da Índia. O ministro declarou que as forças paquistanesas estão respondendo de forma decisiva e escreveu: “Agora é guerra aberta entre nós e vocês”.
Autoridades paquistanesas afirmaram que os ataques atingiram quartéis, postos militares e depósitos de munição do Talibã. Vídeos divulgados por fontes de segurança mostram explosões e incêndios em instalações militares. Testemunhas em Cabul relataram fortes explosões e grande movimentação de ambulâncias depois dos bombardeios. As informações são da agência Reuters.
O Talibã confirmou que o território afegão foi atingido e declarou que realizou ataques de retaliação contra posições militares do Paquistão. O governo paquistanês disse que 133 combatentes do Talibã morreram e mais de 200 ficaram feridos, enquanto o grupo afegão afirmou ter matado 55 soldados paquistaneses e capturado 19 postos militares.
O confronto representa uma das maiores escaladas militares entre os 2 países desde que o Talibã voltou ao poder no Afeganistão em 2021, depois da retirada das tropas lideradas pelos Estados Unidos. Inicialmente, Islamabad apoiou o novo governo afegão, mas a relação se deteriorou com acusações paquistanesas de que o Afeganistão abriga militantes do TTP (Tehreek-e-Taliban Pakistan), grupo insurgente responsável por atentados contra forças de segurança e civis no Paquistão. O Talibã nega e afirma que a segurança interna do país vizinho é responsabilidade exclusiva de Islamabad.
Os confrontos recentes começaram após o Paquistão lançar ataques contra possíveis bases do TTP em território afegão, ação que Cabul classificou como agressão. As autoridades afegãs e a ONU (Organização das Nações Unidas) disseram que os bombardeios anteriores mataram civis, o que aumentou ainda mais a tensão.
Embora o Paquistão tenha vantagem militar significativa, com mais de 600 mil militares ativos e força aérea moderna, o Talibã tem experiência depois de décadas de combate contra forças estrangeiras.
Países como Rússia e Arábia Saudita defenderam a redução das hostilidades e sinalizaram disposição para mediar negociações. Até o momento, não há indicação de cessar-fogo, e autoridades paquistanesas colocaram regiões fronteiriças em alerta máximo diante do risco de novos ataques.
