Em meio ao debate sobre a inflação brasileira em altos patamares e a economia com o maior juro real do mundo, o Brasil encerrou o ano de 2025 com a marca recordEm meio ao debate sobre a inflação brasileira em altos patamares e a economia com o maior juro real do mundo, o Brasil encerrou o ano de 2025 com a marca record

Juros altos e pressão sobre o crédito empurram empresas para recorde de recuperação judicial

2026/02/27 23:31
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Em meio ao debate sobre a inflação brasileira em altos patamares e a economia com o maior juro real do mundo, o Brasil encerrou o ano de 2025 com a marca recorde de 5.680 empresas em recuperação judicial, aumento de 24,3% em relação ao ano anterior.

Segundo o levantamento Monitor RGF de Recuperação Judicial, ao longo do ano, 1.665 companhias entraram em processo de reestruturação, número que representa alta de 35,2% frente a 2024. No mesmo período, apenas 561 empresas saíram do processo de recuperação judicial.

Prevista na Lei 11.101/2005, a recuperação judicial permite que empresas renegociem dívidas sob supervisão do Judiciário. Durante o processo, execuções e cobranças ficam suspensas temporariamente, promovendo mais espaço para reorganização financeira e, sob proteção da Justiça, evitar a falência.

Charles Nasrallah, especialista em direito empresarial, classifica o aumento dos pedidos de recuperação judicial como um problema sistêmico da economia, atribuído ao aumento dos gastos do governo e à força da política arrecadatória, inclusive com criação de novos impostos, que sufocam o quadro fiscal das empresas.

Além disso, o especialista ressalta que o cenário de juros altos e “inflação galopante” pressionam o crédito e limitam o acesso das empresas a dinheiro novo, contribuindo para situações de insolvência.

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4º trimestre chama atenção pelo avanço nos pedidos de recuperação judicial

Somente no último trimestre do ano passado, 510 empresas buscaram o Judiciário para se reestruturar, número considerado sem precedentes pelo levantamento Monitor RGF, com crescimento de 7,5% ante os três meses anteriores.

As dívidas declaradas por essas 510 companhias somaram R$ 40 bilhões, mais que o dobro dos R$ 16 bilhões registrados no terceiro trimestre anterior.

Sudeste lidera em empresas com insolvência

A região Sudeste concentra 47% dos casos de recuperação judicial em andamento no país.

Numa abrangência maior, o estado de São Paulo reúne 1.315 CNPJs em recuperação judicial, o equivalente a 23,15% do total nacional.

Empresas bilionárias em recuperação judicial marcam o ano

Ao longo de 2025, casos de grande porte ganharam destaque, envolvendo cifras bilionárias e setores estratégicos da economia.

Empresas como a Unigel, Bombril, InterCement e Ambipar recorreram à recuperação judicial para reorganizar passivos elevados e tentar preservar suas operações.

No caso da Unigel, as dívidas declaradas superaram R$ 19 bilhões, um dos maiores volumes do ano.

Problemas de gestão e concorrência externa estão no centro do problema

Nasrallah alerta que, diante do cenário considerado hostil para o crescimento das empresas, também falta maturidade para administrar o caixa.

Segundo ele, cerca de 70% dos problemas de insolvência estão relacionados à má gestão e ao provisionamento de caixa, ou seja, falta conhecimento ou estratégias para que as empresas se mantenham seguras diante de despesas futuras previsíveis.

Fora desse contexto, o especialista destaca cenários extraordinários em que determinados setores sofrem mais no país. Ele cita como exemplo a invasão de produtos manufaturados da China, que reduziu de forma considerável o faturamento das indústrias brasileiras.

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“Nesses casos, o manufaturado chega ao Brasil muito mais barato, até mais que a matéria-prima para as indústrias produzirem esse mesmo produto no Brasil. Além disso, as empresas brasileiras estão sujeitas a um custo fixo muito maior que a China não tem e estão expostas a uma carga tributária absurda, sem contar que hoje há importação de produtos finais, sem proteção da indústria nacional”.

Segundo o especialista, nesses casos os problemas escapam ao limite da gestão e se agravam com políticas que atrapalham o empresário. Soma-se a isso, afirma o advogado, a insegurança jurídica e a falta de proteção ao empresário, o que contribui para o crescimento da insolvência.

Nasrallah acrescenta que, quando a situação econômica do país é favorável, essas questões podem ser mitigadas por meio do acesso ao crédito com juros mais baixos, que permitem às empresas serem mais competitivas. “Caso contrário, elas não conseguem sobreviver”, afirma.

Agro tem maior Índice de Recuperação Judicial do país

A crise de insolvência é ainda mais acentuada no agronegócio, que apresenta o maior IRJ (Índice de Recuperação Judicial) do país, de 13,53. Isso significa que, a cada mil empresas ativas do setor, cerca de 13 estão em recuperação judicial.

A média nacional do índice é de 2,13. Isso, porque o IRJ considera apenas entidades empresariais, excluindo microempresas, filiais e outras naturezas jurídicas.

No agro, o setor de cultivo de soja registra índice de 31,6, enquanto empresas que atuam na criação de bovinos, de 5,3, entre as áreas mais afetadas no Mato Grosso, estado que liderou o ranking de empresas insolventes.

Logo após o agro, aparecem indústria (6,74) e infraestrutura (4,11) como os setores com mais pedidos de recuperação judicial.

Abaixo da média nacional estão comércio (1,81) e serviços (1,02), sendo que o setor de serviços concentra o maior número absoluto de empresas em recuperação judicial, com 1.302 casos. Apesar disso, apresenta o menor impacto proporcional, com IRJ de 1,02.

Segundo Nasrallah, para mitigar esse quadro, é necessário o suporte de um sistema de proteção para empresas do agro, com juros mais baixos e subsidiados para que o setor se torne mais competitivo para a abertura do mercado internacional, tal como o governo propõe.

Diferenças em relação ao processo nos EUA

O especialista também aborda a questão legal das recuperações judiciais no Brasil, que seguem como parâmetro as leis dos Estados Unidos, mas com aplicação diferente.

Como exemplo, ele cita que, no Brasil, alguns itens ficam fora do processo de recuperação judicial, como tributos, além de não abranger todos os tipos de empresa, como bancos.

Segundo ele, nos Estados Unidos todos estão sujeitos à lei de recuperação judicial, inclusive o governo em relação às suas dívidas fiscais.

Nasrallah menciona ainda a discrepância na taxa de recuperação de crédito em comparação com outros países: “No Brasil, a taxa é de aproximadamente 20%, enquanto no Japão é de 99% e nos EUA, de 80%”, ressalta o especialista.

“Por que o investidor vai escolher o Brasil se ele tem apenas 20% de chance de recuperar seu dinheiro caso haja algum problema, sendo que para os Estados Unidos, onde a economia é mais sólida, o investidor consegue 80%, mesmo com a legislação ainda mais benéfica para quem tem insolvência?”.

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Falências após a recuperação também aumentaram

O volume de empresas que faliram após saírem do processo de recuperação judicial também foi recorde no segundo trimestre de 2025, atingindo a marca de 30%.

O índice ficava em torno de 20% e, em alguns períodos, próximo de 10%, de acordo com o Monitor da Recuperação Judicial, produzido pela RGF & Associados.

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