Requerimento solicita que Fazenda obtenha informações sobre estrutura de beneficiários e possível ligação com fundoRequerimento solicita que Fazenda obtenha informações sobre estrutura de beneficiários e possível ligação com fundo

Deputado pede dados de fundos do futebol citados no caso Banco Master

2026/03/06 07:25
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O deputado federal Pedro Aihara (Patriota-MG) apresentou nesta 5ª feira (5.mar.2026) um requerimento de informação para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), solicite à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) esclarecimentos sobre fundos de investimento ligados a direitos comerciais do futebol brasileiro e possíveis conexões com o caso do Banco Master. Eis a íntegra (PDF – 6 MB).

O congressista pede informações sobre o funcionamento e a estrutura de beneficiários finais dos fundos administrados pela LCP Gestora de Recursos com exposição a direitos comerciais da FFU (Futebol Forte União), antiga LFU (Liga Forte União). A FFU é uma associação que reúne clubes brasileiros para negociar coletivamente os direitos de transmissão e outros direitos comerciais de suas competições.

Um dos fundos que o deputado pede que seja investigado é o Astralo 95, mencionado em apurações relacionadas ao Banco Master. Segundo o documento, o BC (Banco Central) comunicou ao Ministério Público Federal que o Astralo 95 é 1 dos 6 fundos suspeitos de participar de um esquema de desvio de recursos da instituição financeira. A Polícia Federal estima que o esquema investigado na Operação Compliance Zero envolva cerca de R$ 11,5 bilhões.

O requerimento também menciona a existência de estruturas conhecidas como “fundo sobre fundo”, nas quais veículos de investimento se tornam cotistas uns dos outros. Segundo o congressista, esse tipo de arquitetura pode dificultar a identificação de beneficiários finais e ampliar os desafios de supervisão regulatória e de prevenção à lavagem de dinheiro.

O deputado solicita que a CVM informe se fundos investigados figuram como cotistas diretos ou indiretos de veículos ligados à aquisição de direitos comerciais do futebol brasileiro. Também pede dados sobre a regularidade desses fundos, eventuais processos administrativos e os mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro aplicados às estruturas de investimento.

INVESTIMENTO NA FFU

Reportagem publicada pelo Poder360 em janeiro informou que o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, investiu cerca de R$ 30 milhões na FFU por meio do fundo Astralo 95. A organização é responsável pela comercialização dos direitos de transmissão de jogos de 35 clubes brasileiros.

Segundo a reportagem, o investimento foi estruturado por meio de debêntures conversíveis em ações. O instrumento estabelece remuneração fixa, com adicional vinculado ao desempenho da empresa. Enquanto não houver conversão em ações, não há participação societária nem poder de decisão na gestão da liga.

Apesar de a aplicação na FFU não estar diretamente relacionada às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Banco Central, os valores deverão ser liquidados para o pagamento de credores do Banco Master.

Segundo apuração do Poder360, o fundo Astralo não consta na base direta de investidores da Sports Media, empresa ligada à estrutura financeira que investe na exploração comercial dos direitos da FFU. A companhia tem como acionistas os fundos LCP Private Equity 1 e 2. Além disso, emitiu uma debênture conversível integralmente detida por outro veículo gerido pela mesma gestora, o FIP Sports Media Futebol Brasileiro.

Ainda de acordo com a apuração, gestores da estrutura tomaram conhecimento do possível investimento do Astralo em um dos distribuidores (“feeders”) de cotas do FIP Sports Media Futebol Brasileiro. A Sports Media não teria acesso à base de cotistas desses distribuidores, o que impediria a confirmação da participação.

Caso confirmado, o aporte representaria uma parcela minoritária dos recursos captados pela estrutura de investimento da Sports Media, que reúne cerca de 8.000 cotistas.

O Poder360 procurou a FFU por meio de mensagem enviada nesta 5ª feira (5.mar.2026) via Whatsapp, para pedir um posicionamento oficial. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

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