Desde a criação do Plano Real, o dólar valorizou quase duas vezes menos que a inflação acumulada no período. De acordo com levantamento do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o IPCA (Índices de Preço ao Consumidor Amplo) foi de 775% desde julho de 1994 até março de 2026.
Mesmo com essa diferença de inflação, o câmbio não acompanhou integralmente a perda de valor da moeda brasileira. Em julho de 1994, US$ 1 equivalia a R$ 1. Hoje o dólar está em R$ 5,16 (fechamento de 10 de março de 2026) –ou seja, alta de 416%.
Em termos simples: enquanto o dólar ficou cerca de 5 vezes mais caro, os preços da economia brasileira ficaram quase 9 vezes maiores desde o início do Plano Real.
Caso US$ 1 em julho de 1994 fosse corrigido só pela inflação acumulada no Brasil ao longo dessas 3 décadas, teria hoje o valor equivalente a R$ 8,74, de acordo os cálculos de Agostini, considerando a Ptax (taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central) ao fim da 1ª semana de março de 2026.
Desde o plano real, o CPI (Índice de Preços ao Consumidor dos EUA) avançou 122% –6 vezes menos que a inflação no Brasil.
Se o valor inicial de US$ 1 fosse corrigido só pelo CPI ao longo dessas 3 décadas, teria hoje poder de compra equivalente a cerca de US$ 2,22. Nesse caso, o câmbio correspondente seria próximo de R$ 11,45.
A diferença fica ainda mais evidente quando se considera o diferencial inflacionário entre os 2 países. Caso o câmbio tivesse refletido integralmente a distância entre a inflação brasileira e a norte-americana desde 1994, o dólar poderia estar hoje próximo de R$ 19,40 –esse seria o valor necessário para manter o mesmo poder de compra igual ao de 32 anos atrás.
O exercício do economista Alex Agostini considera o dólar como se fosse um produto ou mercadoria, corrigido pela inflação. O cálculo desconsidera a dinâmica própria do câmbio.
Na prática, a cotação do dólar também é influenciada por fatores como:
Por isso, o levantamento corrige o câmbio só pela inflação acumulada no Brasil e nos Estados Unidos, sem incorporar variáveis. A forma mais utilizada pelos economistas para analisar o valor do dólar corrigido pela inflação é a taxa efetiva real de câmbio, que ajusta a cotação histórica pela variação de preços ao longo do tempo. Esse indicador permite identificar com mais clareza os períodos em que o dólar esteve relativamente mais caro ou mais barato em termos históricos.
Esta reportagem foi produzida pela trainee em Jornalismo do Poder360 Camila Nascimento sob a supervisão de Brunno Kono.


