IPCA sobe 0,7% em fevereiro e fica acima das projeções
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,70% em fevereiro frente ao mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (12).
A alta do IPCA acumulada em 12 meses é de 3,81%. O número está dentro da meta da inflação, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.
Os analistas consultados pela Reuters previam um avanço de 0,65% na comparação mensal e 3,77% na relação ano a ano.
“Isso é um quadro que mostra uma inflação um pouco mais persistente do que o esperado para esse mês de fevereiro, acima das projeções que o Banco Central tinha divulgado no último RTI e também acima das projeções do mercado quando comparado às projeções do começo do mês”, avalia Lucas Barbosa, economista da AZ Quest.
Entre os grupos pesquisados, a maior pressão sobre a inflação veio de Educação, que registrou alta de 5,21% no mês e respondeu por 0,31 ponto percentual do índice. Segundo o IBGE, o avanço está relacionado aos reajustes anuais das mensalidades escolares, tradicionalmente aplicados no início do ano letivo.
De acordo com o instituto, os cursos regulares subiram 6,20%, com destaque para os aumentos no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Sozinho, o grupo Educação respondeu por cerca de 44% do resultado do IPCA em fevereiro.
Outro destaque foi o grupo Transportes, que avançou 0,74% e teve impacto de 0,15 ponto percentual no índice. A principal pressão veio das passagens aéreas, que registraram alta de 11,40% no período. Também apresentaram aumento o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóveis (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).
Por outro lado, o grupo Alimentação e bebidas apresentou variação mais moderada, de 0,26%, após alta de 0,23% em janeiro. Entre os itens que mais subiram estão o açaí (25,29%), o feijão-carioca (11,73%), o ovo de galinha (4,55%) e as carnes (0,58%). No sentido oposto, houve queda nos preços de frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%).
Já Habitação registrou alta de 0,30% em fevereiro, após recuo de 0,11% no mês anterior. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento na taxa de água e esgoto, refletindo reajustes tarifários em cidades como Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo.
De acordo com o economista, mesmo com as pressões inflacionárias reforçadas pelo IPCA de fevereiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve realizar um corte de juros na reunião da próxima semana. Nossa expectativa ainda é de um corte [da taxa Selic] de 50 pontos-base, mas não seria surpreendente ver um corte de menor magnitude, de maneira mais cautelosa”, avalia Barbosa.


