Os políticos usam a Economia da mesma forma que um bêbado usa um poste de luz, comparou Alan Blinder, um renomado professor em Princeton: “Para se apoiar, não para se iluminar.”
Há décadas, os economistas são alvo de piadas e críticas venenosas – muitas vezes desferidas por eles próprios – em razão de seu histórico de prognósticos equivocados.
John Kenneth Galbraith, ex-conselheiro do Presidente Kennedy e um dos mais influentes economistas do século passado, afirmou que “a única função das previsões econômicas é fazer a astrologia parecer respeitável.”
Para que, então, servem os economistas?
Em Por Que Estudar Economia? (Alta Books), Fabio Giambiagi e Arlete Nese – ambos do ramo – defendem a relevância da profissão e a sua versatilidade no mercado de trabalho contemporâneo. É um livro escrito para potenciais jovens economistas, mas que com certeza vai interessar a outras profissões. (Compre aqui.)
Economistas erram e continuarão errando, mas contribuíram – e muito – para o desenvolvimento de empresas e da sociedade. Desvendaram por que algumas nações prosperam e outras não, ajudaram a superar depressões e a fundar instituições que atenuaram a volatilidade dos ciclos econômicos.
No Brasil, reformas lideradas por economistas controlaram a inflação e criaram programas sociais mais eficientes.
Como afirmam os autores, aprender a disciplina Economia ajuda a iluminar o funcionamento do mundo – e também, claro, da própria economia do dia a dia. Para isso, dois elementos básicos são o domínio dos números e conhecer o papel dos incentivos.
O livro traz uma breve história dos altos e baixos da economia brasileira desde os anos 1930, no governo de Getúlio Vargas. É um capítulo que lembra como decisões mal formuladas – sem observar corretamente os números e os possíveis incentivos perversos – podem ser profundamente danosas. Foi o que ocorreu na ditadura militar e em planos de estabilização fracassados.
Os autores apresentam também conceitos centrais do pensamento econômico moderno e procuram desfazer mitos – entre eles a ladainha populista de que a elite empresarial ambiciona condenar à pobreza a maior parte da população.
“Caro leitor e eventualmente futuro economista,” escrevem os autores, “nunca esqueça estas sábias palavras de Joseph Schumpeter, talvez o economista que melhor conseguiu fazer o ‘raio-x’ do funcionamento do capitalismo e que disse certa vez que ‘a realização capitalista não consiste em proporcionar meias de seda para as rainhas, mas em pô-las ao alcance das operárias, em troca de um esforço cada vez menor no trabalho.”
Em uma palavra, o secret sauce do capitalismo é a produtividade.
O livro comenta ainda as diversas possíveis ocupações de um economista no mercado de trabalho, tanto no setor público como no privado – algo muito mais amplo do que prever para onde vão os juros ou o dólar.
São profissões que costumam atrair pessoas com “forte orientação para o raciocínio lógico, a análise de dados, o pensamento estratégico e a modelagem de cenários,” escrevem os autores. “É um campo em que, muitas vezes, o desempenho intelectual é o principal diferencial competitivo – e onde, frequentemente, encontramos pessoas estimulantes, com ideias criativas e disposição para o debate.”
Para quem ainda não se convenceu, fica aqui a dica da inglesa Joan Robinson, a histórica professora de Cambridge: “O propósito de estudar economia não é adquirir um conjunto de respostas para questões econômicas, mas aprender como evitar ser enganado pelos economistas.”
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