VP do conselho, Gustavo Paulus, e novo CEO, Fabio Mader, contam à Bloomberg Línea sobre os planos para trazer ao país a marca argentina de turismo premium, enquVP do conselho, Gustavo Paulus, e novo CEO, Fabio Mader, contam à Bloomberg Línea sobre os planos para trazer ao país a marca argentina de turismo premium, enqu

CVC: família Paulus dobra aposta e estuda trazer marca de luxo Biblos ao Brasil

2026/01/20 16:00

A família Paulus dobrou sua participação na CVC Corp (CVCB3) nos últimos dois anos, saltando de cerca de 10% em novembro de 2023 para os atuais 20,02%, e confirmou que estuda trazer para o Brasil a Biblos, marca de turismo premium consolidada há 49 anos na Argentina e já controlada pelo grupo desde 2021.

Os dois movimentos simultâneos revelam a aposta estratégica dos fundadores no ciclo de recuperação da maior operadora de turismo do país às vésperas da virada para lucratividade projetada por analistas para 2026.

“Acredito muito nesse novo ciclo da CVC. É um momento favorável”, afirmou Gustavo Paulus, vice-presidente do conselho de administração e filho do fundador Guilherme Paulus, em entrevista à Bloomberg Línea.

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O aumento do equity ocorreu exclusivamente por meio de compras no mercado secundário, sem necessidade de follow-on ou emissão de novas ações.

A família pretende respeitar o patamar de 25% para não acionar a cláusula de poison pill aprovada em janeiro de 2025, que obrigaria lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) das ações remanescentes em 45 dias.

A participação de 25% não é encara, por outro lado, como uma barreira dogmática: “Não tem um limite nosso. Ao longo do tempo, podemos ir aumentando, mas há um poison pill na companhia”, disse Gustavo Paulus.

A família voltou ao controle da CVC em junho de 2023 com um aporte de R$ 75 milhões, após a saída do então CEO Leonel Andrade.

Guilherme Paulus fundou a empresa em 1972 e saiu em 2019. A CVC atua no varejo (CVC Viagens, Almundo, Avantrip) e no atacado (Rextur Advance, Trend, Conectas, Visual Turismo) e conta também com a Biblos argentina.

A CVC não tem controlador definido desde 2016 e mantém 46,43% das ações em free float, segundo dados mais recentes da B3 de 5 de dezembro. Além da família, a BRM Carbyne aparece como segundo maior acionista com 10,01%, seguida por Absolute (9,83%), Opportunity (7,78%) e Goldman Sachs (5,10%).

Biblos: da Argentina para o Brasil

Em paralelo a esse aumento da participação da família Paulus, a CVC confirmou planos de expansão voltada para o segmento premium.

“Na Argentina, temos uma empresa chamada Biblos. Estamos estudando trazer essa empresa para o Brasil e criar uma Biblos Brasil”, revelou o novo CEO da companhia, Fabio Mader, anunciado para o cargo na última semana.

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O executivo, então VP de Produtos e de Revenue Management, substitui Fabio Godinho, responsável pelo processo de recuperação operacional e financeira da empresa desde junho de 2023.

“O Godinho tinha um mandato específico de turnaround. Ele está há 20 anos com a família e já fez isso em outras companhias”, explicou Paulus.

O VP do conselho citou a GJP Hotels (rede de hotéis vendida ao fundo R Capital em 2021 por R$ 800 milhões e hoje denominada Grupo Wish) e a Webjet (companhia aérea low cost adquirida pela Gol em 2011) como exemplos de mandatos anteriores de Godinho, sempre com ciclos de três anos focados em reestruturação.

A chegada ao Brasil preencheria uma lacuna no portfólio da CVC Corp. Segundo Mader, a Visual Turismo posiciona-se como “high-end” entre a CVC Viagens e o segmento de luxo.

“A Biblos Brasil ocuparia o topo da pirâmide, atendendo o ultra-premium que ainda não exploramos de forma dedicada no país”, afirmou.

A Biblos especializou-se em roteiros sob medida para o público de alta renda, em turismo corporativo e em eventos conhecidos como MICE (sigla em inglês para reuniões, incentivos, congressos e feiras profissionais).

Fundada pelo empresário argentino Sergio Durante, a companhia foi adquirida pela CVC em duas fases: 60% em setembro de 2018, por US$ 5,3 milhões, e o restante em abril de 2021 (sem valor divulgado).

Paulus adotou tom cauteloso sobre o timing da chegada: “Temos olhado oportunidades no mercado de luxo. Não digo agora, mas estamos sempre atentos”.

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Desalavancagem e demanda

A estratégia de crescimento da CVC vem acompanhada de desalavancagem considerada consistente no mercado.

A dívida caiu de R$ 1,8 bilhão no momento em que a família retornou ao controle em junho de 2023 para o atual patamar de R$ 1,3 bilhão.

A alavancagem está em 3,3 vezes o Ebitda incluindo antecipação de recebíveis, ou 2 vezes considerando apenas debêntures.

“Essa redução vem da geração de caixa”, afirmou Gustavo Paulus.

A companhia planeja entrar em metabuscadores como Google Flights, Kayak e Skyscanner. “Se você entrar hoje nesses sites, não encontra a CVC”, disse Mader, sinalizando nova oportunidade de captura de demanda.

Mader também destacou a importância estratégica do segmento de cruzeiros, apesar do take rate (comissão) menor comparado a outros produtos. “O fluxo de caixa é muito melhor que outros produtos”, afirmou.

A temporada 2025/26 terá oferta 10% maior, mas ainda 17% abaixo do nível de dois anos atrás. A CVC estuda trazer um terceiro player para o mercado brasileiro, para se somar a MSC Cruzeiros e Costa Cruzeiros.

O novo CEO da CVC não projetou um movimento extraordinário para a Copa do Mundo de EUA, México e Colômbia em junho e julho. “Vendemos pacote para Copa, mas o grande volume está nas férias para Orlando”, explicou.

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Visão do sell-side

As ações da CVC foram excluídas do Ibovespa em 5 de janeiro devido à perda de liquidez. O valor de mercado da companhia está em R$ 1,3 bilhão.

O Santander (SANB11), em relatório divulgado após o anúncio de Mader como CEO, manteve recomendação neutra com preço-alvo de R$ 2,40 - o fechamento ficou em R$ 2,51 nesta segunda-feira (19).

A área de equity research do banco avaliou que “a performance da CVC depende mais de fatores macroeconômicos do que de execução operacional”.

Já os analistas do Itaú BBA projetaram que 2025 terá sido “o último ano de prejuízo e queima de caixa”, com virada para lucro e geração de caixa positivo em 2026.

O Ebitda ajustado acumulado nos nove meses de 2025 somou R$ 327,5 milhões, o que representou uma alta de 16,4%.

A equipe de equity research do Itaú BBA estima margens Ebitda de 31% em 2025 e 34% em 2026.

O resultado financeiro do quarto trimestre tem divulgação prevista para 18 de março.

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